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Administrada por João Paulo de Oliveira

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JANEIRO DE 2002

 

GAZETA DO POVO - PARANA - 24/1/2002
Dívida incobrável

Todas essas contradições, em que desponta a punição fiscal em cima do trabalho e reverencia-se o lucro fácil nos ganhos de capital, poderiam ser amenizadas se o Tesouro Nacional estabelecesse mecanismos eficazes para obter resultados menos decepcionantes na cobrança de sua dívida ativa. Considerados os créditos administrados pela Fazenda Nacional e pela Previdência Social, o governo tem para receber R$ 245 bilhões, a título de tributos atrasados e sonegados. O montante se aproxima de toda carga tributária arrecadada em 2001, algo em torno de 34% do Produto Interno Bruto.

Uma estrutura que beneficia o devedor

Os meios materiais e humanos de que dispõem as procuradorias da Fazenda Nacional e do INSS para cobrar seus débitos ora são débeis, ora são ultrapassados. A sistemática de atuação se processa de duas formas: a administrativa, em que o próprio contribuinte exerce papel decisivo nos resultados da arrecadação, seja mediante coerção da fiscalização ou pelas raras atitudes espontâneas do sujeito passivo, ou a via judicial, por meio do processo de execução. Neste último caso, os processos se arrastam por longos anos, às vezes décadas, dadas as dificuldades de localização dos devedores ou de seus bens, tarefa que, incongruentemente, é atribuída aos nossos zelosos e atarefados oficiais de justiça.

Agente fazendário

Em outra ocasião, tivemos oportunidade de sugerir uma medida legal com grande possibilidade de resultados positivos: a criação do cargo de agente fazendário, lotado em cada procuradoria, com poderes para receber em juízo mandados judiciais de citação, intimação e penhora, a serem cumpridos contra os devedores. Eles poderiam realizar diligências e outros procedimentos com a mesma fé pública dos oficiais, que, por sua vez, seriam liberados para outras nobres e elevadas atribuições. Os meirinhos continuam realizando diligências em veículo próprio para serem ressarcidos num futuro tão incerto quão incerta é a satisfação do crédito da Fazenda Pública.

Não se perca de perspectiva que quem faz alguém trabalhar hoje para receber remuneração não se sabe quando, dele não pode esperar retorno absoluto e imediato.

Acrescente-se que, modernizados e agilizados os mecanismos de cobrança da dívida ativa da União, reaviva-se a esperança de implantação da justiça fiscal no país, desonerando-se os menos capazes economicamente. Na pior das hipóteses, cada centavo cobrado de um sonegador poderá ser a satisfação mínima que o governo está devendo ao expoliado cidadão cumpridor de suas obrigações fiscais.

 

 


 

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Terça-feira, 15 dejaneiro de 2002.

 

 Editorial do Estado de São Paulo de Terça-feira, 15 de
janeiro de 2002.
O sonegador não paga e fica impune, de outro lado, os que pagam
pontualmente  têm a certeza de que mais lhes será exigido no futuro, para
cobrir a parte de quem se evadiu...

Uma dívida gigantesca

O advogado-geral da União, Gilmar Mendes, explica o enorme volume da dívida
ativa da União - Receita Federal e Previdência - pelo excesso de processos
judiciais, que são acompanhados por pequeno número de procuradores, e pelas
falhas da Lei de Execução Fiscal. Sem dúvida, esses fatores contribuem para
o acúmulo de dívidas no valor de R$ 130 bilhões com o Fisco e de R$ 115
bilhões com a Previdência, mas são insuficientes para explicar por que
tantas empresas e pessoas físicas deixam de pagar suas obrigações. Faltou
dizer que a inadimplência e a sonegação atingem índices estratosféricos -
acima e além do que seria de esperar dos percalços a que estão sujeitos os
contribuintes, numa economia cada vez mais aberta - porque a carga
tributária se tornou insuportável para um número crescente de empresas e
pessoas.

Quando o governo decide ficar com 35% de tudo o que os brasileiros
produzem - uma carga que inviabiliza negócios num ambiente de grande
concorrência e arruina patrimônios -, o resultado é o que se vê: o
contribuinte honesto, cujos negócios não suportam a onerosa e compulsória
sociedade com o governo, e o espertalhão, que não paga impostos para
enriquecer, são colocados, em igualdade de condições, na vala comum dos
sonegadores e inadimplentes. A elevadíssima carga tributária, mais do que as
deficiências do aparelho burocrático do Estado e a precariedade das leis, é
o mais poderoso indutor da sonegação e da inadimplência, no Brasil.

O fato é que a soma dessas três ineficiências produziu um sistema perverso
que, simultaneamente, sobrecarrega quem paga imposto e estoca uma dívida
fabulosa, equivalente já a cerca de 20% do PIB. Esse mesmo sistema produz
outras distorções. Todos os anos, como mostra a reportagem publicada pelo
Estado, na edição de domingo, os parlamentares apontam a dívida ativa da
União como fonte potencial de receita, para aumentar gastos no Orçamento. O
problema é que parte considerável dessa dívida não pode ser cobrada, seja
porque corresponde a empresas que não mais existem e a pessoas físicas sem
liquidez, seja porque a Justiça é morosa e o Estado não está aparelhado para
funcionar como agência de cobrança. Um dissídio fiscal, no âmbito
administrativo, pode demorar dois anos para ser resolvido. Na Justiça, uma
ação de natureza fiscal raramente é julgada antes de quatro anos. Ou seja, o
governo - Executivo e Judiciário - se comporta como se não lhe interessasse
cobrar atrasos e sonegações, pois acaba extraindo de quem efetivamente paga
os recursos necessários para o funcionamento do Estado. Trata-se de uma
situação socialmente injusta e politicamente iníqua, uma vez que consagra,
na prática, a existência de dois tipos de cidadãos e de empresas: de um
lado, os que não pagam e permanecem impunes; de outro lado, os que pagam
pontualmente e têm a certeza de que mais lhes será exigido no futuro, para
cobrir a parte de quem se evadiu.

Se o governo estivesse interessado em mudar essa situação, a fiscalização
seria intensificada; o número de procuradores, principalmente na área da
Fazenda - onde 800 procuradores acompanham mais de 4 milhões de processos -,
seria aumentado; e a Lei de Execuções Fiscais seria reformada para dar maior
agilidade à cobrança. Como praticamente nada disso é feito, o resultado é
que apenas 15% do total das ações fiscais ajuizadas pela Previdência, em
2000, foi recuperado.

No entanto, o governo age com suposto rigor. O inadimplente e o sonegador
são punidos com multas elevadas, mais correção monetária. Dos R$ 73,5
bilhões que o INSS tenta cobrar na Justiça, apenas R$ 27 bilhões
correspondem ao principal; o resto são juros, multas e correção. Para o
sonegador, isso pouco importa: quem não pagaria 10 não pagará 100. Mas para
o contribuinte que teve percalços, e só por isso deixou de cumprir suas
obrigações, aqueles acréscimos tornam inviável qualquer possibilidade de
regularização do débito. O Refis, que poderia ser uma boa saída para a
recomposição e pagamento dos débitos fiscais, tem defeitos, que se refletem
no fato de, das 106 mil empresas que se propuseram a parcelar o devido ao
INSS, 57 mil não terem cumprido o acertado, no ano passado.

Se for mantido o atual ritmo de crescimento da dívida ativa, dentro em pouco
ela igualará e superará a receita tributária efetivamente realizada pela
União. Uma boa reforma tributária, distribuindo mais eqüitativamente o peso
dos impostos pela população, seria uma das maneiras de corrigir essa
distorção. Mas o governo não tem o menor interesse nisso.

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União tem a receber 20% do PIB em dívidas
Valor é equivalente aos R$ 130 bilhões atrasados e sonegados à Receita mais os R$ 115 bilhões em contribuições devidas à Previdência
LILIANA LAVORATTI

BRASÍLIA - A União tem a receber, em contribuições previdenciárias e tributos atrasados e sonegados à Receita Federal, o equivalente a quase 20% do Produto Interno Bruto (PIB). São R$ 130 bilhões devidos ao Fisco mais R$ 115 bilhões em dívidas de empresas privadas, setor público e entidades filantrópicas com a Previdência Social.

 

Segundo o consultor de Orçamento do Congresso, economista José Fernando Cosentino Tavares, a dívida ativa no País pode ser comparada à carga tributária de todo o setor público - cerca de 34% do PIB. "Se fosse possível cobrar essa dívida de uma única vez, ela corresponderia ao que os três níveis de governo arrecadam em um ano."

 

O Tribunal de Contas da União (TCU) concluiu que o crescimento do montante que a Previdência tem a receber é muito superior ao da arrecadação - poderá chegar a R$ 500 bilhões em cinco anos, com base na taxa de crescimento dos débitos previdenciários, de 30% ao ano. Há um mês, o tribunal faz uma auditoria para avaliar esses débitos e o impacto das medidas de cobrança adotadas pelo governo. "Torna-se clara a necessidade de ações que impeçam o alcance de tais níveis da dívida previdenciária", atesta o TCU.

 

De 1999 para 2000, as receitas das contribuições previdenciárias aumentaram em R$ 6,6 bilhões, mas a dívida cresceu em R$ 28,9 bilhões. "A Previdência precisa ter um plano estratégico para diminuir esse estoque", afirma o diretor de Arrecadação do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Valdir Moisés Simão.

 

 

Fantasia - Já o especialista em contas públicas Raul Velloso acredita que esses números, apesar de alarmantes, não deixam de ser fantasiosos. "Ninguém sabe quanto essa dívida vale de fato", ressalta.

 

Tavares concorda: "Os números são astronômicos, mas estão fora da realidade."

 

Vista como uma caixa-preta pelo Congresso, a dívida ativa da União é apontada todos os anos pelos parlamentares como uma potencial fonte de receitas para aumentar gastos e até mesmo para reduzir o déficit do INSS, na casa dos R$ 12 bilhões ao ano.

 

Para Tavares, no entanto, a recuperação desses créditos em ritmo mais acelerado do que o atual poderia ajudar as contas públicas, porém jamais na proporção desejada. "O que é possível cobrar não salva a situação fiscal do País."

 

 

Agilidade - Os dois especialistas defendem uma avaliação com base na viabilidade do retorno desses créditos, e não do critério formal, que é a constatação da dívida por parte dos fiscais. Velloso é favorável à terceirização da cobrança para torná-la mais ágil, com descontos significativos para estimular os devedores a normalizarem sua situação.

 

Segundo o diretor de Arrecadação do INSS, uma avaliação quantitativa do estoque dos créditos previdenciários está nos planos do órgão.

 

No fim de 2000, o INSS computava R$ 3,2 bilhões de créditos irrecuperáveis, devidos por 4.199 empresas com falência decretada, conhecidos pelo instituto. No entanto, sabe-se que esse número representa uma pequena parcela dos créditos "podres" incluídos na dívida ativa. "Mesmo que a Justiça fosse menos morosa, certamente uma boa parte dessa dívida não é mais possível de ser cobrada porque muitas empresas nem existem mais", complementa Velloso.

 

Segundo o economista, uma parcela razoável desses débitos decorre das elevadas multas e taxas de juros adotadas na economia brasileira nos últimos anos e utilizadas para atualizar os valores devidos.

 

Dos R$ 73,5 bilhões que o INSS tenta cobrar na Justiça, R$ 27 bilhões correspondem ao principal. A maior parte é conseqüência do acréscimo de juros, multas e correção monetária. "Isso explica parte da grandiosidade dos números da dívida ativa", constata Tavares.

 

Os maiores devedores da Previdência Social são as empresas privadas, responsáveis por 82% do total da dívida, seguidas das entidades e órgãos estaduais e municipais, com 17% do estoque.

Excesso de processos dificulta recebimento

Há, ainda, segundo advogado-geral da União, problemas na Lei de Execução Fiscal
MARIÂNGELA GALLUCCI

BRASÍLIA - O advogado-geral da União, Gilmar Mendes, atribui principalmente a dois fatores a dificuldade de o governo cobrar sua dívida ativa. Segundo ele, há um excesso de processos para serem acompanhados por poucos procuradores. Além disso, ele diz que a Lei de Execução Fiscal tem problemas e precisa ser modificada.

 

Como exemplo das dificuldades enfrentadas pela defesa da União, Mendes contou que, só na área da Fazenda, existem cerca de 4 milhões de processos para cerca de 800 procuradores. Outro problema estrutural é a falta de uma Justiça especializada nas questões tributárias. Os processos caem na vala comum, levando até quatro anos para serem julgados.

 

O advogado-geral defende a modificação da Lei de Execução Fiscal. De acordo com ele, já existe um projeto no Congresso, de autoria do senador Lúcio Alcântara (PSDB-CE), que propõe a execução fiscal administrativa. Com isso, apenas os casos em que tenha havido contestação seriam encaminhados ao Judiciário, o que diminuiria muito o número de processos.

 

Mendes avalia que a demora na execução quase sempre representa perdas para a União. Muitas vezes, o governo garante o direito ao bem, mas como já passou muito tempo, não consegue mais encontrá-lo. Esse problema ocorre, às vezes, com a execução de decisões do Tribunal de Contas da União (TCU).

 

Diante dessa realidade, o esforço do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) é voltado para evitar novos acúmulos nessa dívida formada ao longo dos últimos dez anos. O diretor de Arrecadação do órgão, Valdir Moisés Simão, explica que, para fiscalizar um universo de 2 milhões de empresas no País, o INSS conta com apenas 3.850 auditores. Situação semelhante é a da Procuradoria do instituto: cada um de seus 1.034 procuradores é responsável por cerca de 538 processos de cobrança na Justiça.

 

 

Insignificante - A arrecadação da dívida ativa da União é tão insignificante que até o ano passado essas receitas não entravam no Orçamento. Uma previsão mais detalhada do resultado da cobrança dos devedores só foi incluída na lei orçamentária de 2002. Neste ano deverão ser recuperados R$ 1 bilhão, referentes a tributos atrasados e sonegados, incluindo contribuições previdenciárias.

 

Esse número é menor do que a arrecadação anual obtida por um único programa de refinanciamento de dívidas tributárias, o Refis. No âmbito da Receita Federal e do INSS, neste ano o Refis deverá resultar no ingresso de R$ 1,5 bilhão nos cofres do Tesouro Nacional. O bom desempenho do programa leva alguns integrantes do próprio governo a acreditarem na perspectiva de o Refis ir aos poucos tomando o lugar das procuradorias na cobrança da dívida ativa.

 

"O espírito do Refis é encaixar o pagamento de impostos e contribuições atrasados no fluxo normal de recursos das empresas", enfatiza o economista Raul Velloso. Como parte do faturamento das empresas já é destinado a cobrir a carga tributária corrente, honrar os atrasados só se torna viável mediante o parcelamento em condições vantajosas e prazos longos.

 

Segundo o consultor de Orçamento do Congresso, Jo
sé Cosentino Tavares, os contribuintes interessados em legalizar a situação perante o Fisco aderem ao Refis. Para as procuradorias, portanto, ficam os maus pagadores, mais difíceis de serem cobrados.

 

Das ações fiscais ajuizadas pela Previdência em 2000, por exemplo, somente 15% do valor total foi recuperado. "Um incremento no quadro de procuradores, aliado a um bom gerenciamento no acompanhamento dessas ações, pode ajudar em muito o trabalho de cobrança desses créditos", conclui o TCU em relatório preliminar. O tribunal está auditando essa dívida. (Colaborou Liliana Lavoratti

 


DEZEMBRO DE 2001

 

 

FOLHA DE SÃO PAULO 5/12/2001

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PANORÂMICA

DÍVIDAS

Exclusão do Refis espera por fim de greve
Mais de 60 mil empresas poderão ser excluídas do Refis (Programa de Recuperação Fiscal) nos próximos dias. A exclusão só depende do fim da greve da Imprensa Nacional, que publica o "Diário Oficial" da União. O Refis é um programa criado em 99 que consolida os débitos fiscais e previdenciários das empresas. Em vez de pagar uma parcela mensal fixa para quitar seus débitos, as empresas pagam um percentual de seu faturamento. A lista de 60 mil empresas foi preparada pela Receita Federal e pela Procuradoria-Geral da Fazenda. A relação pode aumentar se o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) terminar a sua lista a tempo. Até agora, as empresas no Refis são 106.762. Portanto, as exclusões reduzirão o programa significativamente. (DA SUCURSAL DE BRASÍLIA)
 
JORNAL VALEPARAIBANO  2/12/2001

Transporte Coletivo

União vai à Justiça cobrar dívida de R$ 22,5 mi da Capital do Vale

Objetivo é impedir venda de bens; empresa diz que débito já foi renegociado com o governo federal

Marcelo Pimentel
Especial para o ValeParaibano

A Procuradoria da Fazenda Nacional requereu à Justiça Federal a indisponibilidade dos bens da Viação Capital do Vale, que detém a concessão do transporte coletivo em São José. Segundo a ação, a empresa tem uma dívida tributária de R$ 22,5 milhões, que se arrasta desde 1993.

A ação, que foi protocolada na última sexta-feira, é uma medida liminar para garantir o pagamento do débito. Fiscais da Receita Federal já tinham feito levantamento dos bens da Capital do Vale em 1999. Foi constatado que dívida com a União ultrapassava mais de 30% do seu patrimônio.

Na época, a Receita fez o arrolamento de bens da empresa, que é um inventário que dá garantias à dívida contraída. A partir dessa medida, permitida pela lei 8.397, a Capital do Vale ficou proibida de vender qualquer patrimônio sem a comunicação expressa à Receita Federal.

Segundo a procuradoria, entre março de 2000 e março de 2001, cinco ônibus foram vendidos.

O procurador-chefe da Seccional de São José, José Roberto Sertório, despachou diretamente o pedido com a juíza da 4ª Vara Federal, Marli Barbosa da Silva, que deverá julgar o pedido de liminar nos próximos dias.

Na ação, o procurador alega que o passivo tributário da Capital do Vale configura situação de grave risco para o crédito fazendário. Em um outro trecho da ação, o procurador demonstra estar preocupado com a situação da empresa Capital do Vale. "Tudo indica que a ré caminha para uma situação de insolvência", alega o texto da ação.

Dos R$ 22,5 milhões, cerca de R$ 2,7 milhões constam da dívida ativa da União e foram negociadas pelo Refis (Programa de Recuperação Fiscal).

O restante ainda não está inscrito na dívida ativa e deverá ser executado dentro de 60 dias, segundo o procurador.

Segundo Sertório, que assumiu a Seccional há dois meses, essa ação está sendo acompanhada de perto pela Procuradoria em Brasília, que quer agilizar o processo.

O procurador-chefe está fazendo um levantamento minucioso das situações mais críticas na região para começar uma grande operação de recuperação fiscal.

Para ele, o Vale do Paraíba é uma região de potencial de crescimento econômico, o que ajuda no trabalho da procuradoria.

No início do ano, as empresas inadimplentes do Vale do Paraíba tinham um somatório de dívidas que chegavam a R$ 750 milhões, segundo levantamento do ValeParaibano.

NOVA SEDE - O novo procurador-chefe da Seccional de São José assumiu com a meta de agilizar o despacho dos processos e mudar a seccional de Taubaté para São José e, na sequência, trabalhar na estruturação do órgão.

Para Sertório, o maior desafio é transferir a sede do órgão. Segundo ele, o presidente da Associação Comercial e Industrial de São José dos Campos, Paulo Saes, reivindicou a transferência da sede para a cidade, facilitando assim o acesso dos contribuintes à Procuradoria.

 

Outro Lado

Empresa diz que dívida foi negociada

São José dos Campos

O gerente da Capital do Vale e Viação Real, Duarte Alves Marques, disse que a dívida da empresa foi parcelada pelo Governo Federal por meio do Refis (Programa de Reestruturação Fiscal).

"A dívida que a empresa tem faz parte do Refis. Estou dentro do programa. Qualquer grupo que tem ou tinha dívida com a Justiça Federal em abril de 2001, podia aderir ao programa. Pouco importa se é maior ou não que o patrimônio da empresa."

Marques não soube informar o valor total da dívida. "Teria que consultar a contabilidade, mas qualquer dívida faz parte do Refis."

As empresas de ônibus Real e Capital do Vale detêm cerca de 80% do número de passageiros em São José.

Em média, as empresas de ônibus transportam 4,5 milhões de passageiros por mês em São José. A previsão da Secretaria dos Transportes é que em 2001 sejam transportados um total de 55,2 milhões de pessoas na cidade.

No ano passado, foram feitas 898.596 viagens. O município conta com 81 linhas e uma frota de 309 veículos.

 

NOVEMBRO DE 2001

 

Coluna Cláudio Humberto, 30/11/2001

Falta de prestígio

O ministro Pedro Malan só dá ouvidos ao secretário Everardo Maciel, nas discussões sobre o Código de Defesa do Contribuinte. O procurador-geral da Fazenda, Almir Bastos, não é convidado nem para o cafezinho, apesar de sua ligação direta ao tema. Se Malan não quis um procurador de carreira no cargo, que pelo menos desse prestígio ao seu protegido

 

Consultor Jurídico

Crise institucional
Procuradores acusam governo de agir fora da lei

A Procuradoria da Fazenda Nacional vivencia uma crise institucional jamais vista no órgão. A afirmação está contida na carta divulgada durante o I Encontro Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional.

Segundo os procuradores, a crise é agravada por diversas inconstitucionalidades e ilegalidades. "O Governo Federal, contrariando expresso dispositivo legal, não satisfeito em congelar os vencimentos dos Procuradores da Fazenda Nacional por sete anos, recusa-se a promover qualquer membro da carreira há seis anos", afirma um dos parágrafos.

Veja a íntegra do documento

Carta do I Encontro Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional

Há, hoje, em curso na Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional crise institucional de proporções jamais vistas naquele Órgão. Tal crise deriva do flagrante descaso do Governo Federal que tem deixado, sistematicamente, de cumprir dispositivos constitucionais e legais.

Os Procuradores da Fazenda Nacional não podem e não irão permitir a perpetuação do clamoroso desmonte de uma Instituição fundamental na luta pela Justiça Fiscal, sem a qual resta inviabilizado o combate à desigualdade social que hoje, desgraçadamente, impera em nosso País.

Diversas são as inconstitucionalidades e ilegalidades que estão a contribuir para a crise ora denunciada. O Governo Federal, contrariando expresso dispositivo legal, não satisfeito em congelar os vencimentos dos Procuradores da Fazenda Nacional por 7 (sete) anos, recusa-se a promover qualquer membro da carreira há 06
(seis) anos.

Tal descaso, já em si espantoso, torna-se absurdo quando se verifica que a carreira dos Procuradores da Fazenda Nacional é a única das carreiras que compõem a Advocacia Pública em nível Federal a não receber reajuste no período antes indicado, sendo também a única em que as promoções estão paralisadas.

Ciente de que o número de Procuradores da Fazenda Nacional é manifestamente insuficiente e está há anos muito abaixo do limite legal mínimo, ao revés de promover o devido concurso público, como mandam a Constituição e a Lei, utiliza essa situação como pretexto para a contratação de bacharéis sem concurso público, para exercer cargos cujas relevantes atribuições demandam a ocupação por um membro efetivo da carreira.

Hoje, em muitas localidades do Brasil, a União encontra-se representada em juízo por bacharéis que, a par de haverem sido indicados politicamente, não possuem qualquer garantia para o exercício do cargo. Ou seja, entrega-se a guarda de milhões e milhões de reais dos cofres públicos a pessoas inteiramente expostas às mais perversas influências políticas.

Em que pesem os reiterados protestos dos Procuradores da Fazenda Nacional, permanece ausente uma carreira de apoio organizada, apta a possibilitar uma atuação dinâmica dos Procuradores, cuja atividade, muitas vezes, é embaraçada por questões instrumentais, com flagrante prejuízo para a atividade fim.

Contrariando a Legislação em vigor, neste exercício fiscal, nem mesmo 30 % (trinta por cento) dos 90 (noventa) milhões de reais destinados pelo Congresso Nacional à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional foram utilizados, embora contraditoriamente persistam as mazelas que afligem e inviabilizam o desempenho eficiente das funções atribuídas ao referido Órgão.

Importante frisar que a verba acima mencionada decorre da arrecadação do chamado encargo legal incidente sobre os valores cobrados pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e que, por Lei, deveria ser integralmente aplicado no referido Órgão.

Ademais é inadiável e imperiosa a reestruturação da carreira, inaceitavelmente afunilada por mal intencionadas reformas que terminaram por desestimular os membros da carreira que, em grande número, jamais chegarão à categoria mais elevada.

Igualmente imprescindível revela-se a nomeação de Procurador-Geral da Fazenda Nacional dentre membros escolhidos em lista tríplice no seio da carreira de Procurador da Fazenda Nacional e que todos os cargos de chefia sejam preenchidos por membros efetivos da carreira, tal como, de maneira salutar, ocorre em órgãos da Advocacia Pública de diversos Estados da Federação e no Ministério Público.

Finalmente, resta imperioso frisar que o Governo Federal está a punir com o tratamento antes descrito os bem sucedidos esforços empreendidos pelos Procuradores da Fazenda Nacional. Apenas exemplificativamente, vale sublinhar que a arrecadação da Dívida Ativa da União, uma das mais relevantes atribuições da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, que em 1992 não ultrapassava valor equivalente a R$ 33.000.000,00 (trinta e três milhões de reais), fechou o ano de 2000 totalizando R$ 1.804.824.713,00 (um bilhão, oitocentos e quatro milhões, oitocentos e vinte e quatro mil, setecentos e treze reais).

O total geral da arrecadação, que em 1991 era equivalente a R$ 14.755.171,00 (quatorze milhões, setecentos e cinqüenta e cinco mil, cento e setenta e um reais), ao final de 2000 chegou à cifra recorde dos R$ 6.255.513.388,00 (seis bilhões, duzentos e cinqüenta e cinco milhões, quinhentos e treze mil, trezentos e oitenta e oito reais), resultados que poderiam ser ainda mais expressivos caso fosse outro o tratamento dispensado à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional pelo Governo Federal.

Assim, os Procuradores da Fazenda Nacional, reunidos em seu I Encontro Nacional, no Estado do Rio de Janeiro, redigiram a presente Carta, destinada a denunciar à Sociedade Brasileira e seus representantes políticos a proposital crise em que foi atirada a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional.

I Encontro Nacional dos Procuradores da Fazenda
Nacional, 18 de novembro de 2001

Revista Consultor Jurídico, 22 de novembro de 2001.

JORNAL VALOR ECONÔMICO

 

Procurador da Fazenda pede 45% de reajuste
Maíra Evo Magro, De São Paulo

 

Os procuradores da Fazenda Nacional não descartam a possibilidade de entrar em greve caso não consigam discutir um reajuste salarial de 45% com os ministros do Planejamento, Martus Tavares, e da Fazenda, Pedro Malan. A proposta foi concluída no 1º Encontro Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional, que ocorreu de sexta-feira a domingo em Mangaratiba, no Rio de Janeiro.

 

 

Segundo o presidente do Sindicato dos Procuradores da Fazenda (Sinprofaz), Paulo César Negrão de Lacerda, a categoria - responsável pela cobrança da dívida ativa da União e por sua defesa em causas tributárias - é o único ramo da advocacia pública que está há sete anos sem reajuste e há seis anos sem promoções. De acordo com ele, a Procuradoria arrecadou no ano passado cerca de R$ 6 bilhões nas causas tributárias envolvendo a União, sendo que os valores incluídos na dívida ativa chegam a R$ 130 bilhões. "Se o governo investisse mais na procuradoria, teria condições de aumentar ainda mais a arrecadação, mas os dados levam à conclusão de que o governo quer enfraquecer a procuradoria, que incomoda a parcela mais favorecida da população", diz Lacerda.

Em Mangaratiba, os procuradores redigiram uma carta que será enviada nesta semana ao Congresso Nacional e aos ministros Tavares e Malan. O documento aponta uma "crise institucional de proporções jamais vistas" na Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. Os procuradores reclamam da contratação de bacharéis em direito sem concurso público para exercer cargos de chefia na procuradoria e dizem que o governo repassou ao órgão neste ano menos de 30% do valor previsto pelo Congresso Nacional para custeio e investimentos. Segundo Lacerda, o desestímulo tem feito com que vários procuradores deixem a carreira. A carta pede ainda que o Procurador-Geral da Fazenda Nacional faça parte da própria carreira, ao contrário do que ocorre hoje.

 

TRIBUNA DA IMPRENSA

Procuradores da Fazenda ameaçam
fazer greve se aumento não sair

BRASÍLIA - O Governo receberá nos próximos dias uma nova reivindicação por aumento salarial. Reunidos em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, os procuradores da Fazenda Nacional deverão fechar até amanhã uma proposta de aumento de, no mínimo, 40%. Eles também querem uma revisão da carreira para impedir que pessoas não concursadas ocupem cargos na Procuradoria, principalmente os de chefia.

Segundo o presidente do Sindicato dos Procuradores da Fazenda (Sinprofaz), Paulo César Negrão de Lacerda, os representantes da categoria não conseguiram ser recebidos pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan, e há mais de dois meses reivindicam, também sem sucesso, uma audiência com o ministro do Planejamento, Martus Tavares. "Se o Malan diz que não tem dinheiro no Orçamento, queremos saber do próprio ministro do Planejamento", explicou.

Lacerda advertiu que, se a posição do Governo de não dialogar com a categoria for mantida, não haverá outra saída senão a paralisação. "Será a primeira greve da área jurídica do Governo", afirmou. Os procuradores não aceitam a desculpa de que não há dinheiro.

Responsáveis pela cobrança dos débitos devidos ao Governo, eles argumentam que o pagamento de honorários pelos devedores seria suficiente, não só para dar o aumento salarial, mas também reaparelhar a Procuradoria. Uma greve dos procuradores interromperia a cobrança de dívidas pelo Governo.

 

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Procuradores – –Prossegue, até amanhã, o 1º Encontro Nacional de Procuradores da Fazenda, em Angra dos Reis (RJ). O principal tema do congresso é o posicionamento institucional da Procuradoria em relação às carreiras do órgão. Segundo Paulo César Lacerda, presidente do sindicato da categoria (Sinprofaz), os salários também estão congelados há mais de seis anos. "Somos os únicos funcionários da Carreira do Estado que não passaram por qualquer reestruturação nos dois mandatos do presidente Fernando Henrique Cardoso", destaca Lacerda.<?XML:NAMESPACE PREFIX = O />    

Estamos fora

O procurador-geral da Fazenda Nacional, Almir Bastos, quer todos, menos os colegas, nos seminários da categoria. No seminário em Brasília, os procuradores só conseguiram entrar com liminar. A corregedora do TRF da 3ª Região, Diva Malerbi, não pôde dar palestra no Ministério da Fazenda em São Paulo: foi barrada por falta de crachá.

 

COLUNA "CLAUDIO HUMBERTO" de 17/11/2001

Estamos fora

O procurador-geral da Fazenda Nacional, Almir Bastos, quer todos, menos os colegas, nos seminários da categoria. No seminário em Brasília, os procuradores só conseguiram entrar com liminar. A corregedora do TRF da 3ª Região, Diva Malerbi, não pôde dar palestra no Ministério da Fazenda em São Paulo: foi barrada por falta de crachá. 

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16/11/2001

GILMAR e MARCO AURÉLIO

a carta de Gilmar a Marco Aurélio e, abaixo, a notícia que gerou a retratação

Ao Excelentíssimo Senhor
Ministro Marco Aurélio Mendes de Farias Mello
Presidente do Supremo Tribunal Federal

"Caro Ministro Marco Aurélio,

Tomo a liberdade de me dirigir a Vossa Excelência com o objetivo de desfazer qualquer mal-entendido que tenha porventura decorrido de declarações que fiz à "Agência Estado" e que - descoladas de seu contexto original - podem até mesmo sugerir uma atitude belicosa que jamais foi a minha.

Vossa Excelência tem presente o nível elevado do diálogo profissional que procuramos manter, em nossas respectivas capacidades institucionais, e que estou certo é nosso objetivo comum preservar. Naturalmente, por vezes, nossas teses jurídicas não serão coincidentes.

De minha parte, esteja certo, no entanto, de que eventuais discrepâncias não mitigarão o elevado apreço e a consideração que nutro por Vossa Excelência, seja em sua condição de Presidente da mais alta Corte de nosso país, seja como brilhante jurista, seja mais singelamente como fraterno e generoso amigo."

Gilmar Ferreira Mendes


A notícia da AE

Advogado-geral critica o presidente do STF

O advogado-geral da União, Gilmar Mendes, criticou nesta terça-feira o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio de Mello, e afirmou que o desconto dos dias parados dos professores federais em greve "é legítimo". Na opinião de Mendes, "não existe greve subsidiada no direito brasileiro". Na segunda-feira, o presidente do STF afirmara que a decisão do governo de reter salários de grevistas fere a Constituição. No último dia 29, Mello reconhecera o direito dos professores de receber salário apesar de a categoria estar em greve.

"A opinião do presidente do STF não pode ser confundida com a opinião do STF. Felizmente, para todos, o STF é mais que o presidente do STF", disse Mendes. Segundo ele, há pronunciamentos "muito claros" entre os ministros do Supremo quanto à constitucionalidade da medida do governo federal. Mendes citou o ministro Ilmar Galvão, vice-presidente do STF, que num pronunciamento anterior à decisão de Mello já havia se posicionado contra os professores, entendendo que o corte de salários era legítimo.

O titular da AGU defendeu que a questão seja submetida ao plenário do STF. "Esperamos que o plenário se manifeste e tenho a impressão de que a posição do STF não corresponde à posição do ministro Marco Aurélio. A questão é no mínimo controvertida e não pode se converter num Fla x Flu. É uma questão constitucional que não se resolve com lances opiniáticos e achismos", afirmou.

Mendes afirmou ainda que o direito de greve não garante subsídio. "Quando trabalhador opta pelo direito de greve ele arca com os riscos. Esta greve subsidiada não existe no direito brasileiro nem no direito comparado, salvo este despacho do ministro Marco Aurélio", disse.

Felipe Werneck

Rio, 12 de novembro de 2001
Colunas < Cultura < Hildegard Angel

 

 

AO INDICAR para procurador-geral da Fazenda Nacional um aposentado do Banco Central, o ministro Malan provocou nos estados, principalmente em Santa Catarina, uma enxurrada de nomeações de pessoas estranhas à carreira, e sem concurso, desprestigiando a categoria. A grita dos procuradores, representados por seu sindicato, é grande... •

 

Rio, 12 de novembro de 2001
Colunas < Cultura < Hildegard Angel

Sindicato pede que procurador cumpra a lei

O PROCURADOR-GERAL da Fazenda Nacional Almir Bastos não gostou da nota desta coluna sobre suas indicações de não-concursados para vagas na instituição, e desmente, com exceção de algumas regiões remotas de Maranhão, Pará, Rondônia e Acre, para onde ninguém quer ir, segundo disse...

A COLUNA, QUE GOSTA de informar certinho, foi pesquisar e encontrou, no Diário Oficial, portarias assinadas, sim, pelo dr. Almir, nomeando, em 20/12 de 2000, o bacharel em Direito Rubens Albiero, para o cargo em comissão de Procurador Seccional da Fazenda em Guarulhos, SP, assim como, em 15/10 de 2001, designando o também bacharel em Direito Renato Alexandre da Silva chefe do serviço de representação judicial da Fazenda Nacional em Araçatuba, SP. Nenhum concursado. Casos iguais há em quase todos os estados...

AS DESCONFIANÇAS que nomeações desse tipo geram são o mal menor. Mais sérios são os transtornos, com várias execuções já extintas pelo Judiciário por falta de legitimidade desses procuradores em comissão. Para os juízes, só quem tenha sido aprovado em concurso público pode propor as ações. O presidente do Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda, Paulo Negrão, já formulou representação ao procurador-geral pedindo que cumpra-se a lei, afastando os que ocupam ilegalmente os cargos...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

OUTUBRO DE 2001

09/10/2001 - De volta ao castigo
Servidor da PGFN será removido, decide juiz do TRF.

Está suspensa a liminar que impedia a remoção do servidor Aldemário Araújo Castro da sede da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. A determinação é do juiz Lincoln Rodrigues de Faria, do Tribunal Re...

 

SETEMBRO DE 2001


04/09/2001 - Castigo suspenso
Juiz federal proíbe remoção de procurador em Brasília

O juiz da 9ª Vara Federal de Brasília, José Parente Pinheiro, concedeu liminar para suspender a remoção do procurador da Fazenda Nacional, Aldemário Araújo Castro, para a unidade regional da Procurado...

AGOSTO DE 2001

Coluna Mônica Bergamo

07/08/2001

Autor: MÔNICA BERGAMO; AUGUSTO PINHEIRO; LUCIANA COSTA
Editoria: ILUSTRADA Página: E2
Edição: Nacional Aug 7, 2001

MORDAÇA
Depois de tanto reclamar dos cortes que a equipe econômica estava impondo à procuradoria da Fazenda Nacional, que cobra os caloteiros que devem ao governo, Aldemário Castro, coordenador da dívida, conseguiu um resultado: foi afastado do cargo na sexta-feira.
*
O governo tem que cobrar R$ 123 bilhões de milhares de devedores. No ano passado, conseguiu receber R$ 5 bilhões.

 

 

 

VEJA

15/08/2001 - Veja - Brasil - Devo, não nego, mas também não pago

PUBLICAÇÃO: Veja DATA: 15/08/2001 EDIÇÃO: 1713 PÁG.: 36-39

RESUMO: Governo briga para receber de empresas 126 bilhões de reais. Tabela com os dez maiores devedores do governo. Gráficos sobre o aumento da dívia e a briga pela cobrança.

Veja Brasil 15/08/2001 2001

Brasil

Devo, não nego, mas também não pago

O governo briga para
cobrar das empresas
126 bilhões de reais

Marcelo Carneiro

No auge do regime militar, uma empresa comandada por um civil era a menina-dos-olhos do Exército brasileiro. A Engesa, uma das cinco maiores fabricantes de material bélico do mundo, enchia de orgulho o peito dos generais. Nos tempos de vacas gordas, quando chegou a exportar 400 milhões de dólares ao ano, o empresário José Luiz Whitaker Ribeiro, dono da Engesa, viajava para o Oriente Médio para fechar contratos a bordo de um jatinho apelidado de “Tapete Voador”, com dezesseis camas, bar e mesa de jogos. Não raro, levava uma comitiva de ministros e altas patentes militares. Hoje, falida, a companhia não produz sequer uma bala de revólver, mas ostenta uma dívida espetacular: 1,8 bilhão de reais pendurados na conta do governo. Sua trajetória é um retrato perfeito de como o dinheiro público pode ir para o ralo. A Engesa lidera um ranking das empresas e pessoas físicas que, no total, devem 126 bilhões de reais à União — o suficiente para pagar quase um quarto da dívida externa do país. Nos últimos dois meses, VEJA analisou uma listagem a que teve acesso com exclusividade. O relatório, com dados oficiais da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, órgão responsável pela cobrança judicial do governo, aponta os 1.700 devedores com débitos superiores a 10 milhões de reais cada um. A maioria refere-se a sonegação de impostos ou a não-pagamento de financiamentos públicos.
O panorama que surge dessa amostragem indica um calote generalizado. Espalha-se por todos os Estados e por grandes, médias e pequenas companhias de todos os setores da economia — agricultura, indústria, comércio e serviços. Alcança também pessoas físicas, algumas delas muito conhecidas, como Nicolau dos Santos Neto, o juiz Lalau, com uma cobrança de cerca de 13 milhões de reais. Entre as empresas campeãs, figuram gigantes como a Varig e companhias que já foram potências em sua área de atuação, caso da construtora Encol e do Banco Econômico. Se os usineiros de Alagoas conseguem há mais de uma década evitar a cobrança de um débito que já alcança 534 milhões de reais, uma revendedora de automóveis de São Paulo, a Milano, produziu a façanha de dever ao governo 670 milhões. O levantamento de VEJA não inclui as dívidas com a Previdência Social (que somam outros 100 bilhões de reais) e eliminou da relação os casos que a própria Procuradoria da Fazenda reconhece como créditos inconsistentes. Ficaram de fora companhias que já resolveram o problema com a Justiça, mas ainda mantêm processos pendentes em virtude da lentidão da burocracia. Foram excluídos ainda erros de lançamento no momento da inscrição do débito e equívocos do próprio devedor, como falhas no preenchimento da declaração de imposto de renda.
O calote da Engesa é um caso singular, especialmente pelas histórias que ilustram o excessivo grau de intimidade entre uma empresa privada e o governo. Em 1992, já afundada em uma dívida que beirava os 500 milhões de dólares, a companhia quase foi estatizada, com a ajuda providencial do Exército. O fato curioso é que 80% desse débito estava no colo de dois órgãos estatais de financiamento — o Banco do Brasil e o BNDES. Ou seja, a estatização era uma manobra para enterrar ainda mais dinheiro público na empresa de Whitaker. Pelo menos 100 milhões de dólares foram injetados pelo governo na Engesa, como antecipação pela compra de 1.000 carros de combate que nunca saíram da prancheta. A idéia de estatização não foi à frente, mas a dívida da Engesa só fez crescer. Menos de dois anos depois, quando até a luz já havia sido cortada, foi decretada a falência, que se arrasta até hoje.
No início do processo, o patrimônio da Engesa era estimado em 400 milhões de dólares. Agora, o que restou — alguns imóveis e um punhado de tanques militares enferrujados — não vale 15 milhões de dólares. E nem esse dinheiro deve voltar aos cofres públicos. Pela legislação, em casos de falência, as dívidas trabalhistas têm precedência, e a Engesa ainda precisa acertar a conta com boa parte de seus ex-empregados. Afastado da empresa, Whitaker foi denunciado pelo Ministério Público por crime falimentar, mas acabou absolvido porque a ação prescreveu. Em 1998, quando respondia ao processo, o homem que nos tempos de glória cruzava o mundo a bordo de jatinhos declarou à Justiça viver com 5.000 reais mensais. Hoje, porém, ainda mantém sua casa no luxuoso condomínio Alphaville, nos arredores de São Paulo.
A maior parte dos 126 bilhões que essas companhias devem ao governo é formada por dívidas incobráveis, como a da Engesa. Estima-se que pouco mais de 30 bilhões possam efetivamente ser resgatados. Isso ocorre porque, freqüentemente, o governo não é o único credor dessas empresas. A Encol, também falida, enfrenta mais de 10.000 ações na Justiça por todo o país, incluindo as execuções fiscais patrocinadas pela União Federal. Só com o governo, o calote alcança 580 milhões de reais. Nessa conta entra um pouco de tudo que uma empresa pode fazer para arrancar dinheiro do governo, especialmente sonegação de impostos e empréstimos, muitos empréstimos. Parece incrível, mas, quando até o mais ingênuo dos mutuários já sabia que um apartamento da Encol era um investimento de altíssimo risco, os bancões oficiais continuavam enterrando dinheiro na construtora. No Banco do Brasil, a Encol tinha crédito ilimitado. Um empréstimo de 100 milhões de reais teve como avalista o próprio dono da construtora, Pedro Paulo de Souza. Mais: mesmo com um papagaio de 120 milhões pendurado no INSS, a empresa continuou a receber dinheiro público, o que é proibido por lei. A chance de essa dinheirama retornar aos cofres públicos é mínima.
Isso não significa que a briga para fazer um caloteiro pagar tudo o que deve seja uma luta inócua. Um grupo de empresários de Alagoas que comanda usinas de açúcar e álcool já percebeu que terá de entregar parte do vasto patrimônio para saldar um calote que dura mais de dez anos. A dívida, registrada em nome da Cooperativa dos Produtores de Açúcar e Álcool de Alagoas, teve início em 1984 e atualmente alcança 534 milhões de reais. Nessa época, os empresários conseguiram um empréstimo no exterior e apresentaram como fiador o Banco do Brasil. Não honraram a dívida, mas o BB não fez feio. Pagou o débito pelos usineiros e até hoje o governo enfrenta idas e vindas nos tribunais para recuperar o dinheiro jogado fora. Em março deste ano, os empresários ofereceram como garantia de pagamento do papagaio vários imóveis registrados em nome das usinas. A Justiça alagoana, talvez escaldada com o estilo usineiro de negociação, exigiu a comprovação em cartório da posse dos bens.
Juntos, os usineiros brasileiros devem mais de 5 bilhões de reais, quase 5% do total da dívida espetada pelas empresas no governo. Só Antônio Inojosa, dono da Usina do Outeiro, no Estado do Rio, tem uma dívida de 50 milhões de reais. Inojosa, de 75 anos, comandou a Cooperativa Fluminense por mais de duas décadas, mas diz que os empresários não têm nenhuma responsabilidade sobre as dívidas. “A culpa é do governo. Eles estimularam a produção, mas não investiram em irrigação. Daí a quebra”, defende-se o empresário, que apesar das dívidas é dono de terras na Bahia e no Rio de Janeiro.
Recuperar o dinheiro gasto com os caloteiros, mesmo que apenas uma parte, significaria um alívio de caixa para qualquer governo. O problema é que essa é uma tarefa hercúlea. Nos últimos sete anos, a União conseguiu recuperar algo perto de 23 bilhões de reais. É uma façanha e tanto, levando-se em conta que em todo o país há pouco mais de 700 procuradores da Fazenda, e nem todos atuam na área de cobrança. A própria Procuradoria estima que hoje cada procurador tenha sob sua responsabilidade cerca de 30.000 processos. Em alguns Estados, os computadores não estão conectados à internet, o que torna o acompanhamento das ações uma peregrinação sem fim aos fóruns. “Temos dificuldade em preencher todas as vagas abertas nos últimos concursos. Em Rondônia não existe nenhum procurador de carreira”, diz Almir Martins Bastos, há três anos no cargo de procurador-geral.
Do outro lado do balcão, sobram recursos para a guerra. Escritórios com mais de 100 advogados prestam serviço ininterrupto às empresas enroladas com o Fisco. Em Alagoas, os barões do açúcar são defendidos pela advogada Maria Fernanda Vilela, irmã do senador Teotonio Vilela, até bem pouco tempo atrás presidente nacional do PSDB. VEJA procurou as dez companhias que lideram o ranking dos endividados. A desculpa para uma dívida tão grande gira em torno da justificativa de que o débito existe, mas é bem menor. Na verdade, a lengalenga é sempre esta: devo, não nego, mas também não pago. Nem morto. Resta ao governo mudar sua tática. No Brasil, dar calote continua sendo ótimo negócio.

Os dez maiores devedores

Na lista abaixo, há empresas que atuam na indústria, no comércio, na agricultura e em serviços. Seus débitos somados chegam a 7,3 bilhões de reais

EMPRESA - ENGESA
RAMO DE ATUAÇÃO - Indústria bélica
VALOR DA DÍVIDA (em reais) - 1,8 bilhão
POR QUE NÃO PAGO - "Estamos tentando vender parte do patrimônio que restou para pagar as dívidas trabalhistas", diz Célio Almada Filho, responsável pela massa falida da empresa

EMPRESA - BANCO ECONÔMICO
RAMO DE ATUAÇÃO - Mercado financeiro
VALOR DA DÍVIDA (em reais) - 1 bilhão
POR QUE NÃO PAGO - "A maior parte desta dívida é improcedente. Em um dos processos, um débito de 9 milhões de reais foi reduzido para 290 000", diz Francisco Vaz, advogado da massa liquidada do Econômico

EMPRESA - GKW FREDENHAGEN
RAMO DE ATUAÇÃO - Fabricação de equipamentos industriais
VALOR DA DÍVIDA (em reais) - 853 milhões
POR QUE NÃO PAGO - "No cálculo da dívida, houve um erro de conversão da moeda. Nosso débito é de 650 000 reais", diz Paula Acirón, advogada da empresa

EMPRESA - MILANO
RAMO DE ATUAÇÃO - Venda de automóveis
VALOR DA DÍVIDA (em reais) - 670 milhões
POR QUE NÃO PAGO - A empresa não quis dar explicações

EMPRESA - VARIG
RAMO DE ATUAÇÃO - Aviação
VALOR DA DÍVIDA (em reais) - 610 milhões
POR QUE NÃO PAGO - "Não concordamos com os procedimentos fiscais. Alguns deles já foram até considerados inconstitucionais", explica Manuel Guedes, diretor de controladoria da empresa

EMPRESA - ENCOL
RAMO DE ATUAÇÃO - Construção civil
VALOR DA DÍVIDA (em reais) - 580 milhões
POR QUE NÃO PAGO - "A excessiva carga tributária sobre as empresas e a política administrativa adotada pela Encol contribuíram para a dívida", diz Júlio Alencastro Veiga, advogado da massa falida da empresa

EMPRESA - COOPERATIVA DOS PRODUTORES DE AÇÚCAR E ÁLCOOL DE ALAGOAS
RAMO DE ATUAÇÃO - Agricultura
VALOR DA DÍVIDA (em reais) - 534 milhões
POR QUE NÃO PAGO - "Os mineiros sempre foram muito estigmatizados e a discussão sobre pagamento de dívidas com o governo é uma coisa nova", diz Maria Fernanda Vilela, advogada dos empresários

EMPRESA - DEVOR
RAMO DE ATUAÇÃO - Fabricação de materiais plásticos
VALOR DA DÍVIDA (em reais) - 418 milhões
POR QUE NÃO PAGO - "É uma aventura jurídica do governo, que mandou inscrever a dívida sem analisar corretamente sua origem", contesta Helder de Souza Pinto, do departamento jurídico da empresa

EMPRESA - COOPERATIVA FLUMINENSE DOS PRODUTORES DE AÇÚCAR E ÁLCOOL RAMO DE ATUAÇÃO
RAMO DE ATUAÇÃO - Agricultura
VALOR DA DÍVIDA (em reais) - 406 milhões
POR QUE NÃO PAGO - "A culpa é do governo, que não investiu na irrigação, como havia prometido", reclama Antônio Evaldo Inojosa, usineiro e ex-presidente da cooperativa

EMPRESA - CLAJO INVESTIMENTOS
RAMO DE ATUAÇÃO - Mercado financeiro
VALOR DA DÍVIDA (em reais) - 406 milhões
POR QUE NÃO PAGO - Os sócios moram em Miami e não foram localizados

 

 

05/08/2001 - Castigo continuado
Procurador da Fazenda é removido sem explicações

O procurador da Fazenda Nacional, Aldemário Araújo Castro, ex-coordenador da Dívida Ativa da União, foi surpreendido na última sexta-feira (3/8) com a sua remoção para a unidade regional da Procurador...

JUNHO DE 2001


16/06/2001 - Em defesa da LC 105
Procurador defende quebra de sigilo sem ordem judicial

Com a edição da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, o debate acerca do sigilo bancário assumiu proporções não experimentadas anteriormente. Pelo menos três ações diretas de inconstituci...



06/03/2001 - Demissão
Coordenador da Dívida Ativa pede exoneração de cargo

O procurador da Fazenda Nacional, Aldemario Araujo Castro, pediu exoneraçã
o do cargo comissionado de coordenador-geral da Dívida Ativa da União. A exoneração foi publicada no Diário Oficial da União n...
 

 

 

JULHO DE 2001

 

31/7/2001

A razão

 

O Sindicato dos Procuradores da Fazenda Nacional está cruzando a lista dos maiores devedores do Tesouro com a de financiadores de campanhas eleitorais. Quer achar explicações para o esvaziamento do órgão, cujo quadro, de 1.200 procuradores, está reduzido a 758.

 

 

 

MAIO DE 2001

MAIO DE 2001


14/05/2001 - Documentos na Web
Projeto não regula pontos cruciais de validade jurídica

Recentemente, a Casa Civil da Presidência da República submeteu ao crivo da sociedade em geral, na forma de consulta pública (1), um projeto de lei sobre documentos eletrônicos ("dispõe sobre a au...

 

 

30/05/2001 - Veja - Brasil - Cibrasa - O fantasma que fuma

PUBLICAÇÃO: Veja DATA: 30/05/2001 EDIÇÃO: 1702 PÁG.: 48-49

RESUMO: Empresário do Rio, dono da Cibrasa, fábrica de cigarros, é o rei da sonegação fiscal no país.

ASSUNTO PRINCIPAL: RODRIGUES, Luiz Felipe da Conceição

PALAVRAS-CHAVES: CIBRASA /EMPRESA/; CIGARRO; DÍVIDA; EMPRESÁRIO; INDÚSTRIA DO FUMO; IPI; PERFIL; SONEGAÇÃO FISCAL

Veja Brasil 30/05/2001 2001

Brasil

Cibrasa

O fantasma que fuma

Afinal, quem é o dono da Cibrasa,
companhia de cigarros que deve
171 milhões de reais ao governo?

Marcelo Carneiro

Amigo, Pullman, Macedônia e Corcel. Haiti, Esplanada, Frevo e Olé. É assim, com uma escalação no melhor estilo dos times de várzea, que a indústria da sonegação de impostos movimenta fortunas no mercado de cigarros. Todas essas marcas, praticamente desconhecidas e vendidas a menos de 1 real o maço, pertencem a uma única empresa do Rio de Janeiro, a Cibrasa Indústria e Comércio de Tabacos. Fundada há vinte anos, a Cibrasa já foi a líder entre as companhias brasileiras de médio porte que competem com as multinacionais no comércio do fumo. Hoje, o faturamento mensal não chega a 750.000 reais, uma gota no oceano de dívidas que engolfa a empresa. Seu débito com a União beira 171 milhões de reais e a coloca em 56º lugar no ranking dos 100 maiores devedores do governo. Boa parte do calote tem origem na cobrança por sonegação do imposto sobre produtos industrializados (IPI), que representa cerca de 50% do preço final do cigarro. Há quase dez anos o governo tenta cobrar o papagaio, mas esbarra em um mistério insondável: quem é o dono da Cibrasa?
Para desvendar esse enigma, é preciso mergulhar nos mais de quatro volumes de um processo em curso na Justiça Federal do Rio de Janeiro. Do calhamaço emerge a figura de Luiz Felipe da Conceição Rodrigues, um empresário português de 49 anos. Em uma denúncia de três páginas datilografadas, um ex-funcionário da Cibrasa diz que Rodrigues é o verdadeiro dono da empresa. Essa denúncia serviu de base para uma operação da Receita Federal que resultou na primeira prisão de Rodrigues, por sonegação fiscal, em 1995. Hoje, o nome do empresário aparece em mais de quarenta processos na Justiça Federal e em outros trinta na Justiça Estadual do Rio. Na época, porém, Rodrigues estava no auge. Através da Organização Excelsior, um megaescritório de contabilidade, atendia mais de 1.000 empresas. Tinha dezenas de imóveis e viajava freqüentemente para a Europa e os Estados Unidos. O problema é que o principal serviço prestado pela Excelsior a seus clientes era burlar o Fisco, empregando notas fiscais frias para fraudar o pagamento de impostos.
Oficialmente, a Cibrasa era uma das empresas cuja contabilidade estava sob a responsabilidade de Rodrigues. Ele nunca figurou nas diversas alterações contratuais e jura que apenas prestou serviços à companhia. Essa versão desmorona quando se conhece a trajetória da Cibrasa. Em 1992, um dos sócios era Paulo Roberto Alves dos Santos. Até hoje, nem a Receita nem a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional conseguiram ficar frente a frente com esse personagem, pelo simples fato de que se trata de um fantasma. A mesma operação que resultou na prisão de Rodrigues revelou que Santos aparece como sócio em 23 outras empresas e, nos contratos dessas firmas, apresentou treze endereços diferentes. Hoje, a composição societária da Cibrasa é um desafio à lógica. Mais de 90% do controle da companhia está nas mãos de uma sociedade anônima com sede no Uruguai, a Phillterry Corporation.
Outros dois sócios, José Luiz Teixeira e Marco Antônio Patriarcha, sempre foram funcionários de quinto escalão da empresa, mas agora ocupam respectivamente a presidência e a vice-presidência. Na quarta-feira passada, a recepcionista da companhia foi clara sobre os dois “executivos”: “Eles não trabalham aqui há vários anos”. Oficialmente, porém, a empresa tem outra posição. Lindemberg Silveira, advogado da Cibrasa, explica que Teixeira e Patriarcha foram indicados pelo Sindicato dos Trabalhadores na Indústria do Fumo para participar de um processo de reestruturação da fábrica. “Eles são pessoas humildes, mas é bom lembrar que um lenhador já foi presidente dos Estados Unidos”, diz Silveira, comparando a incrível trajetória da dupla à biografia de Abraham Lincoln. Quanto à suspeita de que Rodrigues seja o dono da Cibrasa, o advogado é evasivo: “A empresa foi reestruturada em 1997. Não posso dizer se Luiz Felipe era dono antes dessa data. Depois, garanto que não, até por causa dos problemas que passou a enfrentar na Justiça”.
O mesmo documento que relaciona Rodrigues à Cibrasa aponta outro empresário, Dirceu Duarte Ferreira, de São Paulo, como sócio oculto da companhia. O advogado também nega que Ferreira a controle, mas VEJA obteve um documento que relaciona o empresário à Cibrasa. Em dezembro de 1999, Ferreira pagou 605.000 reais por um imóvel no subúrbio do Rio. Até a data da compra, no endereço funcionava a fábrica da Cibrasa. Desde setembro do ano passado, a Cibrasa aderiu ao Refis, programa do governo que prevê o parcelamento das dívidas fiscais das empresas. Não é a primeira vez que a companhia renegocia seus débitos. Nas anteriores, o pagamento das prestações foi interrompido. A adesão ao Refis prevê a suspensão das ações contra a Cibrasa na Justiça. Isso significa que, por enquanto, a Fazenda está impedida de tentar desvendar o mistério que cerca a empresa. E que Rodrigues poderá continuar na sombra.

 

ABRIL DE 2001

FOLHA

Autor:
Origem do texto: Da Reportagem Local
Editoria: BRASIL Página: A7
Edição: São Paulo Apr 9, 2001
Legenda Foto: O advogado-geral da União, Gilmar Ferreira Mendes
Crédito Foto: Lula Marques/Folha Imagem
Observações: SUB-RETRANCA
Assuntos Principais: GOVERNO FHC; CPMF /IMPOSTO/; FUNDO DE COMBATE À POBREZA; VERBA; TÍTULO PÚBLICO; REGULAMENTAÇÃO; POLÊMICA; GILMAR FERREIRA MENDES

Questão é formal, afirma AGU
DA REPORTAGEM LOCAL
O advogado-geral da União, Gilmar Ferreira Mendes, disse que o fato de o fundo de combate à pobreza não ter sido regulamentado não impede o governo de cobrar a nova alíquota da CPMF. Para ele, trata-se apenas de uma questão formal.
"Os (advogados) tributaristas tendem a ficar muito nas discussões formais. Nos últimos tempos, andam meio desacreditados, perdem mais do que ganham."
Mendes ressaltou que a defesa do governo será feita pela Procuradoria da Fazenda Nacional, mas disse não acreditar em derrota no Supremo Tribunal Federal. Segundo ele, só um "juiz de esquina" decidiria contra o governo.
O porta-voz da Presidência, Georges Lamazière, já disse que o presidente Fernando Henrique Cardoso quer que "o Congresso vote o mais depressa possível o projeto de lei complementar".

 

FEVEREIRO DE 2001

 

 

28/02/2001 - Veja - Radar - Wanderley Luxemburgo - Está rindo do quê?

PUBLICAÇÃO: Veja DATA: 28/02/2001 EDIÇÃO: 1689 PÁG.: 20

SEÇÃO: Radar

EDITOR: Lauro Jardim

Veja Radar 28/02/2001 2001

Radar

Wanderley Luxemburgo

Está rindo do quê?

Desde novembro do ano passado, Wanderley Luxemburgo (foto) vem driblando com habilidade de craque as notificações da Justiça sobre a penhora de seus bens. Ele deve à Receita Federal 300.000 reais por ter sonegado imposto de renda, mas escapou dos oficiais de Justiça. O jogo virou. Agora, Wanderley se deixou pegar no contrapé. Com sua ida para o Corinthians, passou a ter endereço certo e conhecido. A Procuradoria da Fazenda Nacional armou o contra-ataque. Pediu à 4ª Vara de Execuções Fiscais a penhora do luxuoso apartamento que mantém na orla da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Enquanto isso, o Leão ruge furioso para outra dívida, de 1,2 milhão de reais. Mordida de leão, quando não mata, faz chorar.

 

 

JANEIRO DE 2001

FOLHA DE SÃO PAULO

Janeiro 2001
  Edição 26.217 Sexta, 12/01/2001 Tiragem 457,036
   BRASIL

Governo tenta evitar uma batalha jurídica

12/01/2001

Autor:
Origem do texto: Da Sucursal de Brasília
Editoria: BRASIL Página: A6
Edição: Nacional Jan 12, 2001
Observações: SUB-RETRANCA
Assuntos Principais: RECEITA FEDERAL; IMPOSTO; QUEBRA DE SIGILO; SONEGAÇÃO FISCAL; LEGISLAÇÃO; JUSTIÇA; POLÊMICA

Governo tenta evitar uma batalha jurídica
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O governo tentou se cercar de cuidados para evitar que a lei da quebra do sigilo bancário dê origem a uma batalha judicial.
O decreto que regulamenta a nova lei condiciona o acesso da Receita Federal às informações de movimentação bancária a três princípios: tem de ser indispensável e razoável, além de ter uma motivação clara.
O advogado-geral da União, Gilmar Mendes, disse ontem que o decreto "afasta a possibilidade de que haja abusos e devassas", o que poderia gerar uma onda de ações de contribuintes na Justiça por ferir o direito à privacidade.
Mendes admitiu, no entanto, que não há como fugir das ações judiciais. "É inevitável", declarou.
Constitucionalidade
Na avaliação dele, a Adin (ação direta de inconstitucionalidade) que será proposta pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) ao Supremo Tribunal Federal tem um lado positivo: resolverá de uma vez a questão em torno da constitucionalidade da lei.
"A Adin deles é a ação declaratória de constitucionalidade que não propusemos ao STF", disse o advogado-geral.
Segundo o procurador-geral da Fazenda Nacional, Almir Bastos, a preocupação constante do Supremo ao julgar pedidos de quebra de sigilo é a preservação da privacidade do contribuinte.
"Intimidade fiscal"
"A lei não vai expor a intimidade fiscal de ninguém", afirmou o secretário da Receita Federal, Everardo Maciel.
Na avaliação do procurador-geral da Fazenda, "os juízes não podem invocar o sigilo para proteger atos criminosos".
Maciel acrescentou que o que tem se observado nos pedidos negados pelo Supremo é a falta de motivação.
"O decreto procura suprir isso com precisão. Nele, estão quais as hipóteses indispensáveis para o acesso da autoridade fiscal à matéria protegida por sigilo bancário", declarou o secretário da Receita Federal.
Mais que o indispensável, a Receita deverá levar em conta "o razoável", adiantou Maciel. A análise, nesse caso, será subjetiva.

Eurico é acusado de dever R$ 37,6 mil para a Receita

21/01/2001

Autor: RAPHAEL GOMIDE
Origem do texto: Da Sucursal do Rio
Editoria: ESPORTE Página: D7
Edição: Nacional Jan 21, 2001
Legenda Foto: O presidente eleito do Vasco, Eurico Miranda, durante a final da Copa JH, na qual seu time sagrou-se campeão contra o São Caetano
Crédito Foto: Jorge Araújo - 18.jan.01/Folha Imagem
Observações: COM SUB-RETRANCAS
Vinheta/Chapéu: FUTEBOL
Assuntos Principais: FUTEBOL; VASCO /CLUBE/; EURICO MIRANDA; JUSTIÇA; DÍVIDA; IMPOSTO DE RENDA; MANDATO; CASSAÇÃO

Deputado teria deixado de pagar o Imposto de Renda referente a 1991

Eurico é acusado de dever R$ 37,6 mil para a Receita
RAPHAEL GOMIDE
DA SUCURSAL DO RIO
Com pedido de cassação já protocolado na Câmara, o deputado federal Eurico Miranda (PPB-RJ), presidente eleito do Vasco, enfrenta também problemas em uma outra esfera da administração pública.
Ele é réu em processo movido pela União, que o acusa de não ter pago um débito fiscal no valor de R$ 37.553,95.
A dívida do deputado com a União refere-se ao suposto não-pagamento do Imposto de Renda referente ao ano de 1991.
Eurico é réu em outros dois processos instaurados na Justiça Federal em 2000 _ambos por multa eleitoral relativa ao pleito de 1998, de acordo com o procurador-chefe da Fazenda Nacional no Rio, Ruy Ferreira Paiva Júnior.
A Procuradoria da Fazenda Nacional é o setor da AGU (Advocacia Geral da União) incumbido de tratar de matérias fiscais.
Questionado pela Folha sobre o assunto, o deputado disse que não tem de "responder a isso".
"Você bota lá o que achar que deve", disse Eurico, que foi eleito tendo como principal plataforma a defesa dos interesses do Vasco.
Um processo de execução fiscal, assinado por Paiva Júnior, está sendo movido contra Eurico para que liquide o débito com a Receita Federal. A execução é cobrança da dívida. De acordo com o procurador-chefe, o total de R$ 37.553,95 é referente ao valor originário do débito, com o acréscimo de duas multas, correções monetárias e honorários advocatícios.
A cobrança administrativa dos tributos foi iniciada pela Receita Federal em 1995.
Como Eurico não quitou a dívida, o procedimento judicial foi iniciado, movido pela Procuradoria da Fazenda Nacional em nome da União.
O processo está em fase de citação, de acordo com a Procuradoria da Fazenda. Por meio da citação, o réu toma conhecimento de que está sendo acusado.
Eurico ainda não era deputado federal em 1991. Ele se elegeu pela primeira vez em 1994. Hoje, está exercendo seu segundo mandato, para o qual foi eleito em 1998, no qual tem passado por sucessivos atritos (leia texto nesta página).
De acordo com o procurador-chefe, Eurico está contestando a dívida também na Receita Federal, em procedimento administrativo. Paiva Júnior disse que é um procedimento comum nesse tipo de questão.
A Receita informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não pode divulgar dados sobre procedimentos internos.
Os dois outros processos instaurados na Justiça Federal em 2000, por multa eleitoral _colocação de faixa de campanha em local proibido, por exemplo_, começaram nos dias 3 de outubro e 7 de dezembro.
O procurador-chefe não soube precisar o motivo e o valor desses processos. Eles são tão recentes que ainda não foram distribuídos para as varas federais em que serão julgados.
Segundo a Justiça Federal, a distribuição só deve ocorrer daqui a duas semanas. A demora se deve ao recesso de fim de ano do Judiciário, que durou de 20 de dezembro a 6 de janeiro.
O processo que Eurico enfrenta na Justiça é diferente daquele que tem como réu o ex-técnico da seleção Wanderley Luxemburgo.
O treinador é acusado de ter cometido crime de sonegação fiscal e de dever R$ 1,4 milhão à Receita Federal. Isso é relativo aos anos de 1993 a 1997.
Luxemburgo é acusado criminalmente e pode até ser preso _o que é pouco provável, porque é réu primário. O processo de Eurico, de cobrança judicial, tramita apenas na esfera cível.
Segundo o procurador-chefe, para haver acusação criminal são necessários indícios de fraude com a intenção de evitar o pagamento de tributos.

 

2000


Dezembro 2000
  Edição 26.196 Sexta, 22/12/2000 Tiragem 462,056
   BRASIL

Bancadas estaduais terão mais R$ 1 bi

22/12/2000

Autor: LUIZA DAMÉ
Origem do texto: Da Sucursal de Brasília
Editoria: BRASIL Página: A9
Edição: Nacional Dec 22, 2000
Legenda Foto: Amir Lando, relator-geral da Comissão Mista de Orçamento
Crédito Foto: Beto Barata - 20.dez.2000/Folha Imagem
Observações: COM SUB-RETRANCAS
Vinheta/Chapéu: ORÇAMENTO
Assuntos Principais: CONTAS PÚBLICAS; ORÇAMENTO; BANCADA ESTADUAL; EMENDA CONSTITUCIONAL; PROJETO REGIONAL; AMIR LANDO

Montante será usado para contemplar Estados que, proporcionalmente, recebem menos; São Paulo é um deles

Bancadas estaduais terão mais R$ 1 bi
LUIZA DAMÉ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O relator do Orçamento de 2001, senador Amir Lando (PMDB-RO), conseguiu mais R$ 1 bilhão para atender às emendas das bancadas estaduais. Na proposta inicial havia R$ 4,5 bilhões para beneficiar os projetos regionais.
A maior parte dos recursos (R$ 720 milhões) sairá da cobrança judicial de dívidas tributárias com o governo federal. O valor foi incluído na proposta depois de consulta à Procuradoria da Fazenda Nacional, órgão do Ministério da Fazenda responsável pelas ações na Justiça.
Os outros R$ 280 milhões são da reestimativa de receitas. Como a proposta de Orçamento da União vai para o Congresso em agosto, a arrecadação é calculada com base em um índice estimado de inflação dos últimos seis meses do ano. A inflação do segundo semestre deste ano foi superior ao índice estimado no Orçamento e, consequentemente, a arrecadação tende a aumentar.
Segundo o deputado João Coser (PT-ES), integrante da Comissão Mista de Orçamento, esse montante será usado para contemplar os Estados com maiores distorções. Ou seja, Estados que, proporcionalmente ao tamanho do território e à população, receberam menos recursos.
Coser disse que todos os Estados tiveram aumento de verbas entre R$ 20 milhões e R$ 25 milhões. Pelo menos 12 foram contemplados com um valor maior para correção das distorções.
As maiores distorções foram identificadas no Rio de Janeiro, em Santa Catarina e em São Paulo. Com o aumento da receita, o Estado de São Paulo, por exemplo, vai receber R$ 76 mi

lhões, além dos R$ 479,7 milhões aprovados nos relatórios setoriais.
Essa verba extra deve garantir o atendimento de duas reivindicações do governador Mário Covas (PSDB-SP): a conclusão das obras do Rodoanel e a melhoria do sistema penitenciário.
O governador pediu R$ 35 milhões para o Rodoanel, mas havia apenas R$ 16,5 milhões no relatório parcial de infra-estrutura. Ele queria R$ 32 milhões para penitenciárias e o relatório parcial previa R$ 15 milhões.
Rio de Janeiro e Santa Catarina devem receber mais R$ 100 milhões cada um. Inicialmente, o Rio teria R$ 295,2 milhões e Santa Catarina, R$ 232,6 milhões.
O governador de Santa Catarina, Esperidião Amin (PPB) e a bancada federal do Estado se reuniram anteontem com Amir Lando para pedir a ampliação das verbas.
Com o aumento da receita, o relator tenta diminuir a pressão de deputados e senadores por mais verbas para seus Estados.
Ainda ontem os parlamentares insistiam em ver suas reivindicações atendidas.
"Há uma dificuldade imensa entre o tamanho da demanda e a escassez de recursos", afirmou Lando, enquanto tentava se isolar em uma sala da comissão para fechar o relatório final, que deve ser apresentado até hoje à noite.
O presidente da Comissão Mista de Orçamento, deputado Alberto Goldman (PSDB-SP), disse que, se todos os prazos forem cumpridos, até a próxima sexta-feira o Congresso terá concluído a votação da proposta.
O calendário estabelecido por Goldman prevê que na terça-feira o relatório de Lando estará disponível na Internet para consultas e correção de possíveis erros. Na quarta-feira à tarde, começará a ser discutido na Comissão de Orçamento. Até quinta, a votação será concluída na comissão para apreciação no plenário.

Entenda a cobrança da CPMF nesta sexta

25/10/2000

Autor: MARCOS CÉZARI
Origem do texto: Da Reportagem Local
Editoria: DINHEIRO Página: B11
Edição: Nacional Oct 25, 2000
Arte: MAPA: ESTADOS ONDE NÃO HOUVE DESCONTO DA CPMF EM 99
Observações: COM SUB-RETRANCA
Vinheta/Chapéu: IMPOSTO DO CHEQUE
Assuntos Principais: IMPOSTO; BANCO; DESCONTO; CONTA CORRENTE; CPMF /CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA/; LIMINAR

Desconto em conta é referente à contribuição que deixou de ser paga em 99 por causa de liminares

Entenda a cobrança da CPMF nesta sexta
MARCOS CÉZARI
DA REPORTAGEM LOCAL
Nesta sexta-feira, dia 27, os bancos em 11 Estados e no Distrito Federal vão descontar da conta corrente de seus clientes a CPMF (o imposto do cheque) que deixou de ser paga no ano passado por causa de liminares concedidas pela Justiça mas que já foram cassadas até 31 de agosto deste ano. A cobrança deve render R$ 1,2 bilhão aos cofres da Receita Federal.
Na maioria dos Estados a cobrança foi suspensa por alguns dias devido a liminares obtidas em ações civis públicas impetradas pelo Ministério Público Federal em seus respectivos Estados.
No Estado de São Paulo a cobrança esteve suspensa entre 10 e 18 de agosto de 99 por liminar obtida pelo Ministério Público Federal. Em Minas Gerais o período foi maior (cerca de cem dias, segundo a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional). Em Brasília, apenas um dia.
A cobrança da CPMF havia recomeçado em 17 de junho, com alíquota de 0,38%. Assim, o que deixou de ser descontado tinha essa alíquota. Em 17 de junho deste ano a alíquota caiu para 0,30%, devendo permanecer assim até 16 de junho de 2002.
O desconto será feito de uma só vez. Quem não tiver saldo suficiente na conta poderá ficar no vermelho. É que a Receita Federal autorizou os bancos a descontar o valor, mesmo que para isso tenham de avançar no cheque especial ou qualquer outra linha de crédito do cliente.
Quem encerrou a conta após a vigência da liminar terá de recolher o imposto por meio de Darf (Documento de Arrecadação de Receitas Federais), que pode ser comprado em papelarias. O código de recolhimento é 8536.
Um detalhe importante para quem pretende pagar em Darf. Os bancos não podem receber valores inferiores a R$ 10. Assim, se o que for devido é inferior a isso, o contribuinte terá de pagar R$ 10, no mínimo. O ideal é pagar no banco onde tinha conta e informar a instituição que está fazendo o recolhimento para que ela informe a Receita.
Outra opção é não pagar. Só que, nesse caso, o banco mandará à Receita o nome dos correntistas cujas contas foram encerradas. Com isso, a Receita poderá enviar um aviso de cobrança para a casa da pessoa, com multa entre 75% e 225% do imposto devido.
Além disso, os bancos cobrarão juros pela Selic (taxa básica do mercado) e multa de 20%. Os juros entre setembro de 99 e até agora estão em 19,34%. A multa é de 20% porque esse é o máximo que pode ser cobrado (0,33% ao dia, limitado àquele percentual).
Quem não quis ter o desconto pôde manifestar essa intenção até sexta-feira da semana passada, diretamente na agência onde tem conta. Para isso, foi preciso preencher um formulário. Também nesse caso o banco enviará à Receita o nome dos correntistas contrários à cobrança.
Em SP, sem multa
No caso específico do Estado de São Paulo, ao menos até hoje os bancos não podem cobrar a multa de 20% exigida pela Receita.
É que o Ministério Público Federal obteve liminar na 3ª Vara da Justiça Federal suspendendo a cobrança. A Procuradoria da Fazenda Nacional recorreu ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região (SP/MS). O desembargador José Kallás, presidente do TRF, deve dar hoje a decisão sobre o caso.
Se a liminar for suspensa por Kallás, é provável que os bancos tenham condições de programar também o desconto da multa na sexta-feira. Se não for possível a cobrança ao mesmo tempo, ela deverá ficar para a próxima semana. Se a liminar for mantida, os bancos não poderão fazer o desconto da multa.
Além da multa, os bancos no Estado não poderão descontar a contribuição se o correntista se manifestou contra a cobrança até sexta-feira, mesmo tendo saldo.
Também não poderão cobrar de quem não tiver saldo suficiente, mesmo que não tenha se manifestado, e dos que já encerraram as contas.
Finalmente, os bancos não poderão inscrever os nomes dos correntistas nos órgãos de proteção ao crédito, como SPC, Serasa etc.

Tesouro Nacional fica com mico do IRB

09/10/2000

Autor: ELVIRA LOBATO
Origem do texto: Da Sucursal do Rio
Editoria: DINHEIRO Página: B5
Edição: Nacional Oct 9, 2000
Observações: COM SUB-RETRANCA
Vinheta/Chapéu: PRIVATIZAÇÃO
Assuntos Principais: PRIVATIZAÇÃO; ENCONTRO; BANCO DO BRASIL; TESOURO NACIONAL ; IRB /INSTITUTO DE RESSEGUROS DO BRASIL/; CONTABILIDADE

Encontro de contas faz 'desaparecer' US$ 892,47 mi da contabilidade do Instituto de Resseguros do Brasil

Tesouro Nacional fica com mico do IRB
ELVIRA LOBATO
DA SUCURSAL DO RIO
Um encontro de contas entre o Banco do Brasil, o Tesouro Nacional e o IRB (Instituto de Resseguros do Brasil) fez desaparecer da contabilidade da União US$ 892,47 milhões (R$ 1,65 bilhão).
A cifra refere-se a exportações realizadas nas décadas de 70 e 80 que não foram pagas pelos importadores. Cerca de 80% das perdas (US$ 716,85 milhões) foram provenientes da exportação de navios para armadores registrados na Libéria, Bermudas e Cingapura.
As vendas foram feitas com seguro contratado no mercado interno _e resseguro do IRB_ e financiadas pelo Banco do Brasil com dinheiro do Tesouro.
A cifra aparecia na contabilidade do BB como crédito da União, ao mesmo tempo em que figurava no balanço do IRB como débito do Tesouro. O encontro de contas, assinado mês passado, fez desaparecer a dívida e o crédito.
O objetivo da medida é facilitar a privatização do IRB, cujo processo vem se arrastando desde o ano passado. Embora o governo garantisse que a dívida não seria repassada ao comprador, os candidatos pré-qualificados _Transatlantic Re (EUA), Munich Re (Alemanha), Swiss Re (Suíça), Bradesco e Opportunity_ afirmavam que o débito inviabilizaria o leilão.
O preço mínimo de venda das ações do IRB em poder da União é de R$ 550 milhões, ou seja, um terço do rombo que existia no seguro de exportação.
Risco político
A conta sobrou para a União porque praticamente todas as operações (US$ 859,47 milhões) foram qualificadas como ''risco político extraordinário'', situação em que o ônus do pagamento do seguro recai sobre o governo.
As seguradoras não cobrem perdas provocadas por motivos como guerras ou crises econômicas.
Segundo o diretor técnico do IRB, Francisco Pinho, apenas US$ 33 milhões foram classificados como ''risco comercial''. Mesmo assim, as operações eram garantidas por um consórcio formado por seguradoras privadas, IRB e, principalmente, pelo Tesouro.
Dívidas
Resultado: as seguradoras só arcaram com US$ 4 milhões, que já foram debitados da contra corrente que elas mantêm no Instituto de Resseguros do Brasil. O IRB arcou com US$ 2,1 milhões e os US$ 26,9 milhões restantes foram suportados pelo Tesouro.
Segundo Pinho, 80% da dívida eliminada no encontro de contas _US$ 716,8 milhões_ provinha de exportações de navios para armadores registrados na Libéria, Bermudas e Cingapura. Eles compraram navios de estaleiros brasileiros com financiamento do Finex, que era administrado pela extinta Carteira do Comércio Exterior do Banco do Brasil.
Em 1987, quando o calote dos armadores já estava configurado, o CMN (Conselho Monetário Nacional), em vez de fazer uma análise caso a caso, autorizou o enquadramento de todas as operações de seguro de exportações de navio como ''risco político extraordinário".
Pelos dados do IRB, 67% da dívida remanescente da exportação de navios é com a Libéria, 14% com as Bermudas e 6% com Cingapura. Nos demais produtos, 67% foram vendas para países africanos e o restante para a América Latina.
Ação judicial
O IRB foi obrigado a pagar US$ 18 milhões ao Tesouro Nacional antes da assinatura do encontro de contas e agora está na Justiça contra os estaleiros, tentando receber o dinheiro de volta.
Segundo Francisco Pinho, cabia aos estaleiros uma participação mínima obrigatória de 5% a 10% no risco do seguro. Em 1991, por uma decisão interna do IRB, o percentual foi reduzido para 1%. A medida, segundo o diretor, foi anulada pelas administrações posteriores, porque não tinha valor legal.
O diretor diz que o IRB tentou fazer um acordo com os estaleiros para receber o pagamento, mas as negociações foram infrutíferas. O instituto foi obrigado a ressarcir o Tesouro e entrou com ação de cobrança na Justiça contra os estaleiros.
"Irresgatável"
O presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção Naval, Resende Perez, diz que o débito é ''irresgatável''. Segundo ele, os estaleiros enfrentam milhares de ações de cobrança na Justiça e estão com faturamento praticamente zero.
''Acabou a Marinha Mercante brasileira'', diz o empresário. Perez comprou o estaleiro Mauá em 1997 e diz que uma das condições que impôs para a compra foi a inexistência de quaisquer dívidas junto ao IRB.
Perez afirmou que, como presidente do sindicato, desconhece a existência do débito de US$ 18 milhões alegado pelo IRB. "Ele não pode ignorar isso, porque foram meses de negociação antes de entrarmos na Justiça'', retruca o diretor técnico do IRB.
Negociação no exterior
O coordenador geral de Mercado de Capitais da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Victor Carreres, diz que o governo não desistiu de tentar receber o pagamento das importações. A Procuradoria da Fazenda Nacional continuará cobrando os débitos dos responsáveis no exterior.
Por causa do prejuízo acumulado, o seguro de exportação foi suspenso em 1991 e só foi retomado em 1998, com a criação da Seguradora Brasileira de Crédito de Exportação.
Indagado se foi um erro o financiamento e o seguro de exportações para África, América Latina e Oriente Médio, Carreres diz que todo governo tem sua política macroeconômica e que a prioridade na época, especialmente nos anos 80, foi a geração de saldos comerciais.

CPMF não paga em SP fica sem multa

06/10/2000

Autor: MARCOS CÉZARI
Origem do texto: Da Reportagem Local
Editoria: DINHEIRO Página: B2
Edição: Nacional Oct 6, 2000
Vinheta/Chapéu: IMPOSTOS
Assuntos Principais: IMPOSTO; CPMF /CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA/; PAGAMENTO; MULTA; SÃO PAULO /SP/

Liminar foi obtida pelo Ministério Público contra o acréscimo de 20%

CPMF não paga em SP fica sem multa
MARCOS CÉZARI
DA REPORTAGEM LOCAL
A Receita Federal não poderá cobrar dos correntistas com contas em bancos no Estado de São Paulo a multa de 20% sobre a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) que deixou de ser recolhida entre 10 e 18 de agosto do ano passado.
A proibição para a cobrança _ao menos por enquanto_ é da juíza Giselle de Amaro e França, da 3ª Vara da Justiça Federal em São Paulo. A cobrança será no dia 27 deste mês.
A juíza concedeu liminar à ação cautelar incidental impetrada pelo Ministério Público Federal em São Paulo contestando a cobrança da contribuição nos moldes pretendidos pela Receita.
A Receita Federal informou ontem que a Procuradoria da Fazenda Nacional entrará com recurso assim que for notificada da decisão. O recurso, pedindo a suspensão da liminar, será encaminhado ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região (SP/MS).
Além de proibir a multa, a juíza determinou que os bancos não podem cobrar a CPMF dos contribuintes que se manifestarem contra até o dia 20, mesmo tendo saldo credor; dos que tenham conta sem saldo credor, mesmo que não se manifestem; e dos que já encerraram suas contas.
A juíza também determinou que a Receita não inscreva os nomes dos contribuintes que não tiverem o desconto, no dia 27, nos órgãos de proteção ao crédito, como Cadin, Serasa, SPC e outros. Se essa norma for descumprida, a multa será de R$ 1 milhão por dia.
Com base na decisão da juíza, a Receita só poderá cobrar a CPMF dos correntistas que tiverem saldo em conta e que não se manifestarem contra até o dia 20.
A juíza não atendeu apenas um pedido do Ministério Público _o que pedia a troca dos juros pela taxa Selic por outro índice de variação de preços. O acréscimo da Selic será de 19,34%.
Postos também isentos
Quatro postos de combustíveis da Grande São Paulo obtiveram liminar na quarta-feira para não pagar a CPMF no dia 27 deste mês. A liminar foi obtida pelo advogado Paulo Sérgio Santo André na 15ª Vara Federal em São Paulo.
Segundo o advogado, os postos ficaram entre 10 e 12 meses sem pagar a CPMF. O valor devido pelos quatro postos é superior a R$ 200 mil, segundo Paulo Sérgio.
A Receita entrará com agravo de instrumento no TRF da 3ª Região tentando cassar a liminar.

A VOTAÇÃO DO IMPEACHMENT

12/07/2000

Autor:
Editoria: COTIDIANO Página: C4
Edição: São Paulo Jul 12, 2000
Arte: QUADRO: A VOTAÇÃO DO IMPEACHMENT
Observações: SUB-RETRANCA
Assuntos Principais: CÂMARA MUNICIPAL; SÃO PAULO /SP/; VOTAÇÃO; IMPEACHMENT; CELSO PITTA

A VOTAÇÃO DO IMPEACHMENT
Cada denúncia terá um envelope e uma urna de cores diferentes
O prefeito perderá o cargo se, em uma das votações, 37 vereadores (2/3 da Câmara Municipal) o julgarem culpado

Denúncias aprovadas pela comissão processante
- Denúncia
Parecer do relator Alan Lopes (PTB)
1 Preto
Empréstimo de R$ 800 mil feito pelo empresário Jorge Yunes ao prefeito
O relatório indica que houve improbidade administrativa: Pitta teria favorecido o empresário por meio da prefeitura em troca do empréstimo pessoal e não teria como pagar a dívida

2 Rosa
Viagem de Pitta a Paris em 1998, que teria sido paga por uma empresa que executa serviços de limpeza na cidade, a Vega
As despesas da viagem com o cartão de crédito Diners Club ultrapassam R$ 8 mil e os rendimentos declarados de Pitta são de R$ 6 mil mensais; o prefeito não teria como cobrir as despesas

Denúncias rejeitadas pela comissão processante
3 Azul escuro
Omissão de Pitta durante as acusações de existência de uma máfia de fiscais na prefeitura
Não há provas de que o prefeito tenha deixado de tomar providências contra fiscais envolvidos em denúncias

4 Amarelo
Contratação de funcionários fantasmas na empresa municipal Anhembi
O termo "funcionário fantasma" designava erroneamente funcionários que trabalham em serviços externos para a Anhembi; não foi comprovado que funcionários contratados tenham sido indicados

5 Vinho
Loteamento das Administrações Regionais (ARs) entre vereadores
Pitta tomou as providências necessárias para punir vereadores e funcionários de ARs que estavam envolvidos em irregularidades; não há indícios de loteamento

6 Verde escuro
Compra de votos de vereadores
Não há provas de que em reuniões na casa do prefeito tenha sido discutido o suborno a vereadores

7 Laranja
Pagamento irregular de dívidas atrasadas da empreiteira OAS
A Secretaria Municipal de Finanças pagou a construtora OAS em dia, sem sofrer coação ou favorecer a empresa

8 Azul claro
Irregularidade no pagamento de precatórios (ordens judiciais para a quitação de débitos)
Laudos do Banco do Brasil e da Procuradoria da Fazenda Nacional apontam a legalidade dos precatórios emitidos; não houve desvio de recursos

9 Lilás
Cinco condenações judiciais contra o prefeito
Não há sentença, até o momento, condenando Pitta em outras ações

10 Cinza
Abertura de CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito) envolvendo Pitta
As investigações de CPIs não apontaram o envolvimento de Pitta em nenhuma das denúncias

11 Verde claro
Pedidos anteriores de impeachment
Os pedidos anteriores de impeachment foram arquivados por falta de provas, não havendo necessidade de votação

NA TV - O Canal 21 transmite ao vivo a exposição das denúncias e a votação do impeachment; a Globonews transmite somente a votação ao vivo; Globo; Bandeirantes e Record terão flashes durante a programação

PAINEL DO LEITOR

02/07/2000

Autor:
Editoria: OPINIÃO Página: A3
Edição: Nacional Jul 2, 2000
Seção: PAINEL DO LEITOR
Arte: ILUSTRAÇÃO: CARVALL
Observações: COM SUB-RETRANCA

PAINEL DO LEITOR
Artigo
"Quero cumprimentar Tercio Sampaio Ferraz Junior por seu artigo 'O IPI do açúcar e a politização do Judiciário' ('Tendências/Debates', 30/6). Não é mais possível aceitar no direito brasileiro ações civis públicas objetivando cuidar de direitos individuais disponíveis. Sobre essa matéria, já o STF considerou que apenas para interesses difusos ou coletivos pode o Ministério Público utilizar tal veículo processual. Com muita pertinência, o jurista mostrou a insegurança jurídica que pode decorrer dessa utilização inadequada desse mecanismo de espectro limitado."
Ives Gandra da Silva Martins, advogado (São Paulo, SP)
*
"Lamentável o artigo 'O IPI do açúcar e a politização do Judiciário'. Além de usar um sofisma para justificar uma instrução normativa ilegal e inconstitucional emitida pelo secretário da Receita Federal, omite a verdade ao insinuar que essa instrução normativa veio apenas sedimentar 'sucessivas decisões judiciais e administrativas', quando verificamos pelas palavras de representantes da Procuradoria da Fazenda Nacional que a realidade era outra.
Por fim, o douto profissional demonstra um preconceito que as pessoas com maior conhecimento jurídico, como ele, não deveriam possuir: dizer que um juiz do interior do Estado de São Paulo é inferior a um juiz que atua em Brasília."
Jefferson Aparecido Dias, procurador da República em Marília (Marília, SP)

Pouco vulto
"A prisão do lavrador Josias Francisco dos Anjos pelo 'hediondo' crime de raspar a casca de uma árvore para fazer remédio para a mulher, longe de revelar um excesso de zelo por parte dos policiais florestais de Brasília, apenas ilustra a realidade do dia-a-dia da gente humilde neste país. Na verdade, o crime do lavrador foi não ter o poder para promover uma ação suficientemente grande para despertar a 'desatenção' dos policiais. Alguém já se perguntou quantos Josias passam por isso todos os dias no Brasil sem virar notícia? Será que, para reduzir a violência, além do reaparelhamento material, nossos órgãos de segurança não precisam urgentemente de um reaparelhamento intelectual?"
Celso Balloti, e-mail: cballoti@zaz.com.br (São Paulo, SP)

Contas públicas
"Em junho de 1991, antes mesmo da sessão de julgamento das contas da prefeita Luiza Erundina, alguns conselheiros do TCM (Tribunal de Contas do Município), que é um órgão auxiliar da Câmara Municipal, contrariando princípios básicos da ordem jurídica, anunciaram a rejeição das contas da administração municipal. O prejulgamento, publicado pela imprensa, escancarou a manobra política daqueles conselheiros, funcionários vitalícios da Câmara, inconformados com o fato de Luiza Erundina ter se recusado a criar mais cargos para o TCM e ainda ter demitido funcionários fantasmas que encontrou na prefeitura, nomeados por esses mesmos senhores. A rejeição das contas de Luiza Erundina, cancelada depois por vereadores da própria oposição, teve motivação exclusivamente política, e não pode ser comparada com a rejeição das contas do atual prefeito, envolto num mar de lama por seu antecessor e padrinho político.''
Ivo Patarra, assessor de imprensa da deputada Luiza Erundina (São Paulo, SP)

Saúde mental
"Com relação a reportagem publicada em 30/6 sobre o Hospital Psiquiátrico do Juquery, gostaria de esclarecer que nenhum paciente, em nenhuma hipótese, é submetido a 'tratamentos' com eletrochoques, como afirma a repórter.
Repudio ainda a forma como o hospital foi invadido pela reportagem deste jornal, sem nenhum contato prévio com sua diretoria ou com a assessoria de imprensa.
Após a invasão, a repórter foi encaminhada à diretora do hospital, que a atendeu por cerca de 40 minutos e ainda a acompanhou em visita para fotos em todo o complexo hospitalar.
Diante de tais fatos, gostaria de ver retificada a reportagem.''
José da Silva Guedes, secretário de Estado da Saúde (São Paulo, SP)

Resposta da jornalista Soraya Agége _ A reportagem da Folha não invadiu as instalações do Hospital Psiquiátrico Juquery, apesar de ter estado no local sem contato prévio com a diretoria ou assessoria de imprensa da instituição. A reportagem chegou a ser atendida pela direção do complexo hospitalar, que se negou a dar entrevista. A assessoria de imprensa da Secretaria da Saúde foi procurada e não se pronunciou sobre as condições do manicômio. Quanto à questão dos tratamentos com eletrochoque, a reportagem não afirmou que a prática ocorre nos dias atuais.

Cassação
"O ex-senador Luiz Estevão (PMDB-DF) é apenas o primeiro de uma série de 'ilustres' senadores que deveriam estar pagando pelos inúmeros atos lesivos à 'pátria amada, idolatrada, salve, salve'."
Rosemberg Rodrigues de Castro (Bom Despacho, MG)

Programação
"Gostaria muito que os políticos deixassem de ser tão caras-de-pau e acabassem de uma vez por todas com o horário político em cadeia de rádio e televisão.
Já cansamos das mesmas promessas: saúde, educação, emprego e moradia.
Não somos obrigados a ouvir esse monte de mentiras em nossas TVs, porque existem coisas muito mais importantes para ouvir e assistir.''
Milton Pereira (São Paulo, SP)

Ilegalidade perigosa
"Acho justo que a propaganda do tabaco seja restrita pelo Ministério da Saúde, bem como haja publicidade explicitando os malefícios dessa droga, como diz o editorial da Folha 'Lobby do fumo' (Opinião, 28/6). O que me preocupa nesse perceptível processo de erradicação do consumo de tabaco no Brasil é que a vend

a do cigarro, a longo prazo, seja proibida, e ele se transforme em mais uma droga lucrativa para o narcotráfico do país."
João Rômulo de Azevedo Philippi (Florianópolis, SC)

Críticas certeiras
"Nenhuma restrição cabe às críticas generalizadas que estão sendo feitas à incompetente ação da PM fluminense no caso do sequestro de um ônibus na cidade do Rio de Janeiro. Mas é estranho, a meu ver, que nenhuma crítica seja feita ao juiz ou juízes que permitiram a permanência em liberdade de um indivíduo que furtava, assaltava a mão armada e usava drogas em níveis perigosos. Essas autoridades deveriam ser chamadas a responder, em caráter pessoal, pelos danos causados às vítimas de sua inexplicável complacência na aplicação de medidas de proteção à sociedade."
Fabio Ravaglia (São Paulo, SP)

Legislação é caótica e confusa, diz juiz do TRF

19/06/2000

Autor: FÁTIMA FERNANDES
Origem do texto: Da Reportagem Local
Editoria: DINHEIRO Página: B3
Edição: Nacional Jun 19, 2000
Observações: SUB-RETRANCA
Assuntos Principais: COMBUSTÍVEL; PIS; COFINS; LIMINAR; GASOLINA; REFINARIA; CONTESTAÇÃO; MEDIDA PROVISÓRIA; ANP; AUMENTO; PREÇO

Legislação é caótica e confusa, diz juiz do TRF
DA REPORTAGEM LOCAL
A Procuradoria da Fazenda Nacional da 3ª Região pediu ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região a suspensão de liminares concedidas pela Justiça às distribuidoras Petrosul, Asadiesel e Acelub para não-recolhimento do PIS e da Cofins.
José Kallás, presidente do TRF da 3ª Região, negou o pedido de suspensão da liminar da Petrosul, uma das maiores distribuidoras do grupo das novas.
Em um dos seus argumentos, o juiz diz que decidiu mantê-la porque não estava convencido de que o não-pagamento do PIS e da Cofins causa prejuízo à economia pública.
"A União entrou com pedido de interrupção da liminar muito tempo depois de ela estar em vigor, o que descaracteriza a grave lesão", afirma Kallás.
A Procuradoria da Fazenda solicitou nova análise do pedido de suspensão da liminar, que agora será avaliada por 18 desembargadores no dia 29 deste mês.
A decisão de Kallás foi entendida pelas distribuidoras contrárias às liminares como um balde de água fria na tentativa de disciplinar o mercado de combustíveis.
Os executivos dessas distribuidoras acreditam que, se Kallás suspendesse a liminar da Petrosul, as outras liminares teriam mais chances de ser cassadas.
A Procuradoria da Fazenda Nacional foi agora ao STF (Supremo Tribunal Federal) para tentar suspender essa liminar.
Kallás diz que as liminares surgiram porque a legislação "é caótica e confusa". De acordo com ele, "isso não é culpa do Judiciário, mas de quem altera a legislação. Nesse país são editadas medidas provisórias diariamente, que acabam dificultando o entendimento do juiz".
(FF)

Falhas causam prejuízo a cofres públicos

05/06/2000

Autor: WLADIMIR GRAMACHO
Origem do texto: Da Sucursal de Brasília
Editoria: BRASIL Página: A6
Edição: Nacional Jun 5, 2000
Arte: QUADRO: OS ROMBOS JURÍDICOS
Observações: COM SUB-RETRANCAS
Vinheta/Chapéu: GOVERNO
Assuntos Principais: JUSTIÇA; UNIÃO; EMPRESA; INDENIZAÇÃO; POLÊMICA

Erros no acompanhamento de processos geraram indenizações a empresas como Copersucar, Esso e Unibanco

Falhas causam prejuízo a cofres públicos
WLADIMIR GRAMACHO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Erros primários na defesa jurídica da União estão transformando as antigas batalhas judiciais numa verdadeira "corrida ao ouro" dos cofres públicos. São casos polêmicos, cercados de interesses e, o mais importante, valem bilhões de reais.
O maior deles envolve a cifra de R$ 4 bilhões e a famosa Copersucar (Cooperativa de Produtores de Cana, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo), que patrocinou a equipe de Fórmula 1 do piloto Emerson Fittipaldi nos anos 70.
Em dezembro de 1996, a cooperativa, que reúne 35 usinas, ganhou no TRF (Tribunal Regional Federal) de Brasília uma indenização por haver vendido ao governo, no final da década de 80, açúcar e álcool abaixo do preço de custo. Eram tempos de controle de preços, e a Copersucar alegou quebra do equilíbrio econômico-financeiro do contrato.
Agora, a cooperativa pode receber um valor equivalente a mais da metade do que o governo cortou do Orçamento deste ano, na última quinta-feira.
A sentença bilionária foi dada pela 3ª turma do TRF, por maioria de votos. A defesa da União tentou recorrer diretamente ao STJ (Superior Tribunal de Justiça), num procedimento que se mostrou equivocado. O recurso correto deveria ter sido apresentado ao próprio TRF.
O passo em falso foi condenado pelo TRF e confirmado pelo STJ. A negativa dos dois tribunais implicou uma pena adicional para a União. Os dois advogados perderam o prazo para apresentar a apelação correta.
"Qualquer aluno de final de curso sabe que, antes de recorrer ao STJ, deve-se esgotar os recursos no próprio tribunal", afirmou o procurador da República Antônio Fonseca, que prepara um parecer para ajudar a União a se livrar dessa derrota. Segundo ele, os dois advogados que defendiam a União no processo eram Manoel Lopes de Souza e Adolfo Marques da Costa, ambos da AGU (Advocacia Geral da União).
Procurado pela Folha, Souza não respondeu às ligações. Costa, que se desligou da AGU no início do ano, não foi localizado pela Folha em sua casa. A Advocacia estuda o caso para tomar as providências cabíveis.
Corrigir o erro dos dois advogados, diz Fonseca, é muito difícil. O recurso equivocado fez com que o processo transitasse em julgado, o que em bom português quer dizer que a União não pode mais recorrer. A não ser que o próprio TRF decida mudar sua decisão, o que está sendo intentado por uma ação rescisória.
"Foi um erro grosseiro, não tenha dúvida", critica Fonseca. O procurador concorda com os argumentos da União contra a indenização bilionária, mas fala da ação como uma causa perdida.
"No mérito, o direito da União é bom. Mas, tecnicamente, é difícil desconstituir uma decisão judicial", opina o procurador.
A direção da Copersucar não se pronunciou sobre o assunto.
Caso Unibanco
Em São Paulo, outro caso curioso chamou a atenção da Procuradoria Regional da República.
Em 1992, a União foi condenada pelo juiz da 15ª Vara Federal de São Paulo, Marcelo Mesquita Saraiva, a pagar indenização ao Unibanco, atualmente calculada em R$ 160 milhões.
Segundo o parecer da procuradora Luiza Cristina Frischeisen, que acompanha o caso, "paira dúvida sobre a isenção do laudo" que balizou o julgamento. E a União, sustentou, não apontou os "vícios referentes à perícia" em sua apelação.
"Tal laudo foi elaborado e subscrito simultaneamente pelo perito judicial, Luiz Carlos Segantini, e pelo assistente técnico do Unibanco, Affonso Celso Pastore", escreveu a procuradora.
Segundo ela, a União não acompanhou o laudo, e "o então juiz Roberto Luiz Haddad, responsável pela instrução, poderia ter corrigido a falha, mas deixou passar".
Haddad, hoje desembargador do TRF de São Paulo, foi personagem de reportagem da Folha no ano passado por ostentar padrão de riqueza que contrasta com o padrão comum dos juízes. Ele está sendo investigado pelo STJ.
No caso do Unibanco, segundo a procuradora, Haddad poderia ter sido mais rigoroso. O caso está em julgamento no TRF de São Paulo. A relatora é a desembargadora Salette Nascimento.
Procurado pela Folha, o departamento jurídico do Unibanco informou que a avaliação do banco é que não houve nenhuma irregularidade na fase de instrução do processo e que, por isso, a indenização é legítima.
Caso Esso
A solução do problema, ali, está mais próxima do que em um outro episódio em que a defesa jurídica da União também falhou. A beneficiária, desta vez, foi a Esso, gigante mundial de combustíveis.
A empresa vem economizando cerca de R$ 100 milhões anuais no recolhimento da Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social).
Em 1996, a Esso ganhou na Justiça o direito de não recolher essa contribuição, que incide sobre o faturamento de qualquer empresa com alíquota de 3%.
A Procuradoria da Fazenda Nacional, entretanto, simplesmente não recorreu a tempo da decisão do TRF do Rio, favorável a Esso.
A falha obrigou o procurador-geral da Fazenda Nacional, Almir Martins Bastos, a abrir uma comissão de sindicância para apurar responsabilidades. Na última sexta, a assessoria de imprensa do Ministério da Fazenda não soube informar o resultado.
No final do ano passado, porém, o Supremo julgou constitucional a cobrança da Cofins sobre combustíveis. Com isso, a Advocacia Geral da União tenta ação rescisória para mudar a decisão do tribunal do Rio de Janeiro.

Do vazamento à compra de dados sigilosos

18/04/2000

Autor:
Editoria: DINHEIRO Página: 2-9
Edição: Nacional Apr 18, 2000
Arte: QUADRO: DO VAZAMENTO À COMPRA DE DADOS SIGILOSOS
Observações: SUB-RETRANCA
Assuntos Principais: SIGILO FISCAL; COMÉRCIO EXTERIOR; EMPRESA; DADOS; VENDA; CD-ROM; ADUANEIRAS - INFORMAÇÃO SEM FRONTEIRAS /EDITORA/; RECEITA FEDERAL; SECEX /SECRETARIA DE COMÉRCIO EXTERIOR/

Do vazamento à compra de dados sigilosos
1 - A receita sabe
No início de novembro de 1998, o secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, soube que dados sigilosos do Fisco estavam à venda em São Paulo. Por R$ 990, informações de comércio exterior de empresas brasileiras, protegidas pelo sigilo fiscal, eram vendidas em um CD-ROOM pela empresa Aduaneiras-Informação Sem Fronteiras
2 - Origem: Secex
Ao investigar o caso, Everardo Maciel descobriu que os dados do CD-ROOM haviam sido obtidos pela empresa junto à Secretaria de Comércio Exterior (Secex), órgão subordinado ao Ministério do Desenvolvimento, da Indústria e do Comércio, que tinha acesso a informações sigilosas do Fisco
3 - Liberação de dados é suspensa
No dia 27 de novembro, Maciel mandou suspender a liberação de dados detalhados sobre importações e exportações de empresas à Secex. Em 14 de dezembro de 1998, o então secretário de Comércio Exterior, Maurício Cortes Costa, enviou fax pedindo que Maciel voltasse atrás na decisão e permitisse o acesso aos dados por órgãos do governo
4 - O sigilo fiscal
O secretário da Receita responde, também por fax, nove dias depois. Argumenta que nem mesmo o acesso exclusivo de órgãos públicos aos dados encontraria respaldo na legislação. Maciel despede-se afirmando que "não se revela viável a liberação dos dados que estão protegidos pelo sigilo fiscal"
5 - Arquivamento
Em 1º de março de 1999, contudo, Maciel manda arquivar o processo administrativo número 10120.003745/98-41, que investigava o vazamento de dados sigilosos da Receita Federal. Ele aponta a Secex como fonte das informações e justifica o arquivamento com o parecer da Procuradoria da Fazenda Nacional nº 023/99
6 - O que diz o parecer
O parecer informa que "se as informações também estão disponíveis para a Secex, e a divulgação originou-se ali, não cabe à Receita resolver a questão". Orienta a Receita a alertar as autoridades competentes, "deixando, entretanto, que os próprios interessados, no caso os exportadores e importadores eventualmente prejudicados, adotem as providências que julgarem oportunas. O mesmo poderia fazer o Ministério Público, tomando conhecimento do fato, se entender que fica caracterizada a conduta criminosa
7 - Folha comprao CD-ROM
No último dia 14 de abril, mais de um ano depois do arquivamento do processo, a Folha comprou o CD-ROOM com informações sigilosas da Receita Federal. Ele continua custando R$ 990. É vendido pela mesma empresa, a Aduaneiras-Informações Sem Fronteiras
8 - O conteúdo do CD-ROM
Segundo a proposta de venda, as informações detalhadas sobre exportações e importações de empresas disponíveis no CD-ROM vão de janeiro de 97 a outubro de 98. A partir dessa data, informa o documento, os dados foram omitidos pela Secex, provedora das informações
9 - O que diz o Código Penal
Divulgar dados de operações e negócios de contribuintes, como fizeram a Receita Federal e a Secex, é crime previsto no artigo 325 do Código Penal. A pena prevista para esse caso varia de seis meses a dois anos de prisão, mas, dependendo do caso, pode ser transformada em multa

Despesa com remédio é dedutível

12/04/2000

Autor: MARCOS CÉZARI
Origem do texto: Da Reportagem Local
Editoria: DINHEIRO Página: 2-2
Edição: Nacional Apr 12, 2000
Seção: IMPOSTO DE RENDA
Observações: COM SUB-RETRANCA
Assuntos Principais: IMPOSTO DE RENDA; DECLARAÇÃO; JUSTIÇA; ABATIMENTO

Liminar permitindo o abatimento foi dada pela Justiça Federal em SP

Despesa com remédio é dedutível
MARCOS CÉZARI
da Reportagem Local
Os gastos com medicamentos, lentes corretivas e aparelhos de audição poderão ser deduzidos da renda bruta dos contribuintes pessoas físicas já nas declarações do Imposto de Renda deste ano, desde que realizados em 99.
A permissão para o abatimento foi dada no dia 7 pelo juiz Djalma Moreira Gomes, da 13ª Vara da Justiça Federal em São Paulo, ao julgar uma ação civil pública impetrada pelo Ministério Público Federal em São Paulo. A ação foi impetrada pelos procuradores Walter Claudius Rothenburg e Marlon Alberto Weichert.
A decisão do juiz vale para todo o país, pois ele entendeu que não teria sentido conceder o benefício apenas para os contribuintes do Estado de São Paulo, deixando de lado os dos demais Estados.
Na ação civil pública, os procuradores pediram que os contribuintes possam abater as despesas com a compra de lentes corretivas (óculos, inclusive armação, e lentes de contato), aparelhos de audição e medicamentos, desde que com prescrição médica e notas fiscais e que tenham sido pagas pelo contribuinte para seu uso e de seus dependentes.
Em 99, a Procuradoria já havia obtido liminar para a dedução dos gastos com lentes e aparelhos de audição. Neste ano, os procuradores decidiriam pedir também a dedução para os medicamentos.
O juiz Moreira Gomes argumenta que deve ser permitida a dedução das despesas com lentes corretivas e aparelhos de audição porque a Receita Federal já permite o abatimento de próteses (palmilha ortopédica, perna mecânica e outros).
No caso dos medicamentos, o juiz argumentou que é permitido o abatimento dos gastos quando os medicamentos são dados ao paciente que está internado. Logo, não se deve discriminar quando o medicamento é comprado para ser tomado em casa.
Os contribuintes que ainda não entregaram as declarações deste ano e que tenham condições de abater aqueles gastos (é preciso ter receita e nota fiscal) devem avaliar os efeitos dessa decisão.
É preciso lembrar que a liminar não é uma decisão definitiva (ela pode ser cassada).
Além disso, incluir um gasto a mais na declaração pode trazer três consequências: restituição maior (para quem já tinha), isenção ou até restituição (para quem ia pagar pouco) e pagamento menor (para quem ia pagar muito).
Assim, numa eventual cassação da liminar, o contribuinte voltará à situação anterior, ou seja, como se não tivesse abatido os gastos. Com isso, a Receita poderá descontar o "ganho" obtido ou cobrar a diferença.
Quem já entregou _e também poderia incluir aquelas despesas_ não deve retificar a declaração agora (embora tenha esse direito). A melhor opção é esperar uma decisão final da Justiça. No caso de ganho para os contribuintes, a declaração poderá ser retificada. Em caso de perda, nada precisará ser feito.
A assessoria de imprensa da Receita em São Paulo informou ontem que "decisão judicial não se discute, mas cumpre-se".
A Procuradoria da Fazenda Nacional em São Paulo ainda não havia sido citada oficialmente pela Justiça até ontem. Assim que receber a citação, o procurador entrará com agravo de instrumento no TRF da 3ª Região para tentar derrubar a liminar.

Shell e Esso vendem abaixo do custo

19/03/2000

Autor: FÁTIMA FERNANDES
Origem do texto: Da Reportagem Local
Editoria: DINHEIRO Página: 2-1
Edição: Nacional Mar 19, 2000
Leia Mais: X
Observações: COM SUB-RETRANCA
Vinheta/Chapéu: COMBUSTÍVEIS
Assuntos Principais: COMBUSTÍVEL; GASOLINA; PREÇO; CUSTO; DUMPING; SHELL /EMPRESA/; ESSO /EMPRESA/

Múltis confessam vender gasolina com prejuízo para enfrentar concorrência; União perde R$ 1,5 bi

Shell e Esso vendem abaixo do custo
FÁTIMA FERNANDES
da Reportagem Local
Distribuidoras de combustíveis, como Shell e Esso, admitem estar vendendo gasolina a preço abaixo do custo _prática chamada de dumping_ para poder concorrer no mercado brasileiro. A ação está concentrada em São Paulo.
A disputa acirrada pela venda de combustíveis no país chegou a tal ponto que resulta num rombo de R$ 1,5 bilhão aos cofres da União. E mais: o comércio de gasolina adulterada está generalizado pelo país. Para competir, dizem, só vendendo com prejuízo.
Há uma guerra nesse mercado. De um lado estão as novas empresas, que surgiram a partir de 93 com a abertura do mercado de combustíveis. Boa parte delas conseguiu na Justiça o direito de não pagar dois tributos, o PIS e a Cofins, o que lhes permite vender gasolina mais barata.
De outro estão as tradicionais companhias, como Shell, Esso, Ipiranga, Texaco e BR, inconformadas com a perda de mais de 30% de participação no mercado.
Para competir no mercado, a Shell informa que chegou a vender gasolina, em alguns postos, a R$ 0,07 abaixo do custo. "Hoje há postos em São Paulo vendendo o litro da gasolina a R$ 0,04 abaixo do custo", diz Bruno G. Motta, coordenador de varejo da Shell.
A Esso também admite que é forçada a vender com prejuízo para manter os postos abertos em algumas regiões de São Paulo. "Vender circunstancialmente a preço abaixo do custo é questão de sobrevivência", diz Istvan Vamos, vice-presidente da Esso.
Até agora, as novas distribuidoras têm conseguido convencer a Justiça de suas teses.
Em 97, elas questionaram o pagamento do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) no ato da compra da gasolina e conseguiram obter o direito de pagar o imposto após a venda, mas boa parte delas não pagou. A maioria dessas liminares foi cassada em setembro de 98.
Só que, desde 99, a Justiça concedeu outra enxurrada de liminares às novas empresas, isentando-as de pagar o PIS e a Cofins.
As tradicionais entendem que os tributos têm de ser pagos pelo menos até o próximo dia 1º de julho, quando entra em vigor a medida provisória 1.991-15, assinada no dia 10 pelo vice-presidente da República, Marco Maciel, que estabelece a cobrança dos dois tributos só na refinaria.
Para convencer a Justiça, as empresas utilizaram basicamente dois argumentos: a inconstitucionalidade da cobrança dos dois tributos sobre os combustíveis e a da cobrança na refinaria, antes da venda ao consumidor.
No primeiro argumento, elas recorreram ao parágrafo 3º do artigo 155 da Constituição, que diz que nenhum tributo incide sobre combustíveis, energia elétrica e telecomunicações, exceto o ICMS e os impostos de Importação e de Exportação.
No segundo, elas alegam que não podem pagar imposto na retirada do produto. Têm de vendê-lo primeiro. A substituição tributária _ou o pagamento antecipado do PIS e da Cofins_ foi estabelecida pela lei 9.718/98.
A existência dessas liminares está causando um rebuliço no mercado de combustíveis, que movimenta cerca de US$ 35 bilhões por ano. Apesar dos encontros de diretores das companhias tradicionais com o Executivo e o Judiciário para mostrar os estragos da concorrência desleal no mercado, as liminares continuam em vigor.
O Supremo Tribunal Federal já julgou, em julho de 98, que é constitucional o pagamento dos dois impostos, tomando como argumento outro artigo da Constituição, o 195, que estabelece que toda a sociedade recolhe impostos. Ainda assim, juízes continuaram concedendo as liminares.
A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional diz que só agora a sonegação alcançou tamanho para requerer a suspensão das liminares. "Não dá para compreender a demora na entrada dos recursos para cassar as liminares", diz o advogado Celso Bastos.
A Procuradoria da Fazenda Nacional da 3ª Região pediu a cassação da liminar da Petrosul, a maior das novas distribuidoras.
José Kallás, presidente do TRF da 3ª Região (SP/MS), negou o pedido de suspensão da liminar. Uma das razões mencionadas foi que ele não estava convencido do prejuízo à economia pública.

LEIA MAIS sobre combustíveis na pág. 2-6

Cronograma de leilão do Banespa pode mudar

24/02/2000

Autor:
Origem do texto: Da Sucursal de Brasília
Editoria: DINHEIRO Página: 2-3
Edição: Nacional Feb 24, 2000
Observações: COM SUB-RETRANCA
Vinheta/Chapéu: PRIVATIZAÇÃO
Assuntos Principais: PRIVATIZAÇÃO; BANESPA; LEILÃO; BANCO; CRONOGRAMA; MUDANÇA; LIMINAR

Liminar trava venda

Cronograma de leilão do Banespa pode mudar
da Sucursal de Brasília
O Banco Central deverá adiar a divulgação dos nomes das instituições financeiras pré-qualificadas ao leilão do Banespa, prevista para o dia 29, caso não consiga derrubar a liminar que suspende o processo de privatização.
Ontem a procuradoria do BC recebeu a intimação da liminar contra a venda do banco concedida pela Justiça Federal do Distrito Federal e já está estudando formas para tentar derrubá-la.
Na avaliação do procurador-geral do BC, José Coelho Ferreira, a liminar suspende apenas os atos formais da privatização, como a divulgação da lista dos pré-qualificados. O atraso no cronograma poderá adiar a venda do banco.
Por isso, o BC pretende continuar com os trabalhos internos de avaliação da documentação dos bancos que se inscreveram para disputar o leilão. Oficialmente, não foi divulgada a relação de inscritos, mas pelo menos nove bancos (quatro nacionais e cinco estrangeiros) já declararam que querem comprar o Banespa.
Caso a liminar seja derrubada até o próximo dia 29, o BC pretende divulgar os nomes dos bancos aprovados na pré-qualificação.
Somente os bancos pré-qualificados terão acesso às informações estratégicas do Banespa e poderão fazer lances no leilão, que inicialmente está marcado para 16 de maio próximo.
A liminar que suspende a privatização do Banespa foi concedida em ação movida pelo Ministério Público que aponta 22 supostas irregularidades no processo de venda da instituição.
O governo já informou que vai recorrer da decisão. O assunto está sendo analisado pela Advocacia Geral da União com ajuda da Procuradoria da Fazenda Nacional e área jurídica do BC. O recurso deve ser apresentado hoje.
O BC informou que ainda está estudando formas para tentar derrubar uma outra liminar, c

oncedida em São Paulo, que impede que o Banespa lance em seu balanço uma perda de R$ 1,86 bilhão (multa aplicada pela Receita).
O presidente do BC, Armínio Fraga, disse aos senadores da CAE (Comissão de Assuntos Econômicos), durante almoço no BC, que o edital de venda do Banespa trará garantias aos acionistas minoritários em relação aos R$ 7 bilhões que o banco estatal paulista tem a receber de devedores.
A preocupação de Fraga, segundo os senadores, é impedir que esses recursos sejam destinados ao futuro controlador do banco, o que, na prática, reduziria o valor pago pela instituição.
"Se o Banespa é vendido por R$ 3 bilhões e o novo controlador consegue recuperar metade dos seus créditos, o banco não irá custar nada para seus compradores. Esses créditos irão para os acionistas minoritários, o que será explicado no edital de privatização'', disse o senador Pedro Piva (PSDB-SP). Fraga não detalhou como essa medida será adotada.

Nike diz não ter 'nada a ver'

18/02/2000

Autor:
Origem do texto: Da Reportagem Local
Editoria: ESPORTE Página: 4-3
Edição: Nacional Feb 18, 2000
Observações: SUB-RETRANCA
Assuntos Principais: CBF /CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE FUTEBOL/; DÍVIDA; JUSTIÇA; PROCESSO; NIKE /EMPRESA/; CONTRATO

Nike diz não ter 'nada a ver'
da Reportagem Local
A multinacional norte-americana de artigos esportivos Nike, que possui contrato de patrocínio com a Confederação Brasileira de Futebol, informou que não tem nada a ver com os processos de execução fiscal movidos pela Fazenda Nacional contra a entidade.
A Procuradoria da Fazenda Nacional no Rio de Janeiro disse à Folha que, caso a CBF fosse derrotada nas etapas judiciais que restam, a Justiça poderia penhorar parte do valor do contrato CBF-Nike (US$ 160 milhões por dez anos, assinado em 1996).
Apesar disso, o porta-voz da Nike do Brasil, Ingo Ostrovsky, demonstrou que a multinacional não tem preocupações com o dinheiro que repassa à CBF.
"Esse assunto (a possível penhora de parte do dinheiro do contrato) não diz respeito à Nike, a empresa não tem nada a ver com isso. É um assunto da CBF", limitou-se a declarar Ostrovsky.
Questionado se a má utilização do dinheiro do patrocínio não poderia prejudicar a CBF e, por extensão, arranhar a imagem da Nike, o porta-voz da empresa manteve a posição inicial.
Segundo o contrato entre a CBF e a Nike, revelado com exclusividade pela Folha no ano passado, a entidade esportiva cede à empresa parte de seu poder sobre a seleção brasileira.
Pelo acordo, a multinacional pode, entre outras coisas, escolher o adversário do Brasil em 50 amistosos ao longo dos dez anos de parceria.

Governo cobra R$ 5,6 mi da CBF

17/02/2000

Autor: FÁBIO VICTOR; SÉRGIO RANGEL
Origem do texto: Da Reportagem Local; Da Sucursal do Rio
Editoria: ESPORTE Página: 4-1
Edição: Nacional Feb 17, 2000
Leia Mais: X
Observações: COM SUB-RETRANCA
Assuntos Principais: CBF /CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE FUTEBOL/; DÍVIDA; JUSTIÇA; PROCESSO ADMINISTRATIVO

Entidade sofre 3 processos por não-recolhimento de impostos

Governo cobra R$ 5,6 mi da CBF
Execução fiscal pode penhorar parte do patrocínio da Nike; Confederação alega erro de cobrança da Receita Federal
FÁBIO VICTOR
da Reportagem Local
A CBF (Confederação Brasileira de Futebol), entidade que comanda o futebol nacional e que tem um contrato de patrocínio com a Nike no valor de US$ 160 milhões, está sendo acionada judicialmente pelo governo federal pelo não-recolhimento de R$ 5.667.493,76 de Imposto de Renda.
Três processos, com data de autuação de junho do ano passado, estão sendo movidos contra a CBF pela Fazenda Nacional.
Em todos, os débitos cobrados se referem ao não-recolhimento de Imposto de Renda, principalmente nos anos de 1997 e 1998.
Ao pagar funcionários e prestadores de serviço, por exemplo, a entidade teria que ter recolhido um percentual de imposto sobre esses valores _o que, segundo a Fazenda Nacional, não foi feito.
Os três processos já estão em fase de execução. Isso significa que, ao menos na teoria jurídica, se esgotaram as possibilidades de defesa administrativa da CBF.
Ou seja, as dívidas já foram cobradas, a CBF não as pagou e nem apresentou justificativa suficiente para que fossem anuladas.
Apesar disso, paralelamente à execução judicial, os processos ainda estão sendo analisados administrativamente pela Receita Federal _situação considerada impossível ou pelo menos absurda por especialistas em direito tributário ouvidos pela reportagem.
A confusão, de acordo com a Procuradoria da Fazenda Nacional do Rio, poderia ter sido causada por um erro de sistema durante o preenchimento eletrônico de declarações da Receita Federal (Darf ou DCTF, por exemplo).
Na ação de maior valor (R$ 3.292.591,00), a CBF já foi citada, mas não nomeou bens à penhora. Solicitou, e obteve, a suspensão do processo por 90 dias.
A Receita reconheceu que o caso é "esdrúxulo" e, alegando sigilo fiscal, informou que não iria comentar os processos.
Apesar dessa prerrogativa, a Folha apurou que os processos administrativos se encontram na Divisão Fiscal da Receita no Rio.
Um funcionário do órgão, que não quis se identificar, afirmou que "um dirigente da CBF" estava dificultando o trabalho da Receita, e que a entidade esportiva está "toda enroscada" ao tentar se livrar da cobrança de impostos que, segundo ele, não tem como ser contestada.
A dívida de tributos ao governo federal desmonta por completo um dos mais recorrentes discursos do presidente da CBF, Ricardo Teixeira _que costuma alardear que a entidade não deve nada a ninguém.
A inscrição na dívida ativa da União e o consequente ajuizamento dos processos colocou automaticamente a CBF no Cadin, o cadastro de empresas inadimplentes com o governo federal.
Isso a exclui de qualquer transação com o setor público, não podendo receber financiamentos ou empréstimos nem participar de licitações, por exemplo.
Dessa forma, a CBF vê no momento anuladas as possibilidades de qualquer apoio financeiro, e diminuídas as chances de apoio institucional, do governo federal, à candidatura brasileira para abrigar a Copa-2006, prioridade política de Ricardo Teixeira.
Embora apresente reservas ao analisar a cobrança, a Procuradoria admitiu a possibilidade de, em caso de derrota judicial da CBF após apresentação de embargos e recursos cabíveis, penhorar parte do valor relativo ao contrato da entidade com a Nike.
A multinacional norte-americana firmou, em 1996, contrato com a CBF, pelo qual pagaria à entidade, por dez anos, um total de US$ 160 milhões.
Segundo o acordo, a CBF cede à Nike parte de seu poder sobre a seleção _a empresa pode, entre outras coisas, escolher adversários para o Brasil.
Parlamentares estão se movimentando para que seja criada uma CPI na Câmara para investigar o contrato.

Colaborou Sérgio Rangel, da Sucursal do Rio

LEIA MAIS sobre a dívida da CBF à pág. 4-2

Vasco perde premiação

17/02/2000

Autor:
Origem do texto: Da Reportagem Local
Editoria: ESPORTE Página: 4-2
Edição: Nacional Feb 17, 2000
Observações: SUB-RETRANCA
Assuntos Principais: CBF /CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE FUTEBOL/; DÍVIDA; JUSTIÇA; PROCESSO ADMINISTRATIVO; VASCO /CLUBE/; PRÊMIO; PENHORA

Vasco perde premiação
da Reportagem Local
No caso de a CBF ser derrotada judicialmente, a Procuradoria da Fazenda Nacional no Rio de Janeiro admitiu que poderá penhorar parte dos valores do contrato da entidade com a Nike.
"Não confirmamos nada ainda. Se isso acontecer, poderemos penhorar uma parcela de alguns contratos que sabemos que a CBF tem, como o com a Nike", afirmou o procurador-chefe da Fazenda Nacional do Rio de Janeiro, Ruy Ferreira Paiva Júnior.
A situação aventada pelo procurador acabou de acontecer com o Vasco da Gama.
O juiz Carlos Lugones, da 2ª Vara de Execução Fiscal da Justiça Federal do Rio, determinou a penhora do prêmio de US$ 4,5 milhões que o clube receberia da Fifa pela conquista do vice-campeonato mundial de clubes (conquistado pelo Corinthians), para o pagamento de uma dívida que o clube tem com a Receita Federal.
O valor da dívida é de R$ 7.078.071,79.
O total de débitos do clube com a Receita, porém, atinge cerca de R$ 9 milhões.
Como o dinheiro estava com a CBF, a Justiça cobrou o valor à entidade, que na última segunda-feira depositou os US$ 4,5 milhões em uma conta especial aberta por solicitação do juiz na Caixa Econômica Federal.
Segundo o procurador-chefe da Fazenda no Rio, a dívida do Vasco com a Receita também se refere ao não-recolhimento do Imposto de Renda.

Contrato pode ser atingido

17/02/2000

Autor:
Origem do texto: Da Reportagem Local
Editoria: ESPORTE Página: 4-2
Edição: São Paulo Feb 17, 2000
Observações: SUB-RETRANCA
Assuntos Principais: CBF /CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE FUTEBOL/; DÍVIDA; JUSTIÇA; PROCESSO ADMINISTRATIVO; NIKE /EMPRESA/; CONTRATO; VASCO /CLUBE/

Contrato pode ser atingido
da Reportagem Local
No caso de a CBF ser derrotada judicialmente, a Procuradoria da Fazenda Nacional no Rio de Janeiro admitiu que poderá penhorar parte dos valores do contrato da entidade com a Nike.
"Não confirmamos nada ainda. Se isso acontecer, poderemos penhorar uma parcela de alguns contratos que sabemos que a CBF tem, como o com a Nike", afirmou o procurador-chefe da Fazenda Nacional do Rio de Janeiro, Ruy Ferreira Paiva Júnior.
"Aqui (na Procuradoria), a gente não tem motivos para esconder nada", afirmou Paiva Júnior.
Uma situação semelhante à aventada pelo procurador acabou de acontecer com o Vasco.
O juiz Carlos Lugones, da 2ª Vara de Execução Fiscal da Justiça Federal do Rio, determinou a penhora do prêmio de US$ 4,5 milhões que o clube receberia da Fifa pela conquista do vice-campeonato mundial de clubes (conquistado pelo Corinthians), para o pagamento de uma dívida que o clube tem com a Receita Federal.
O valor da dívida é de R$ 7.078.071,79.
Como o dinheiro foi repassado pela Fifa à CBF, a Justiça cobrou o valor à entidade, que na última segunda-feira depositou os US$ 4,5 milhões em uma conta especial aberta por solicitação do juiz na Caixa Econômica Federal.
Segundo o procurador-chefe da Fazenda no Rio, a dívida do Vasco com a Receita também se refere ao não-recolhimento do Imposto de Renda.

 



12/12/2000 - Revolução da informação
Os meios eletrônicos e a tributação na nova realidade

Atualmente, somos testemunhas de transformações radicais na forma de vida na face do planeta. Destacamos, entre os vários fenômenos observados e vivenciados, a chamada Revolução da Informação. A u...


07/06/2000 - Administração Federal
Conflitos serão solucionados por órgão administrativo
Leia abaixo a íntegra da portaria interministerial que cria o grupo encarregado de montar os mecanismos de contencioso administrativo, para resolver conflitos entre a Administração Federal e seus admi...


JULHO DE 1999


08/07/1999 - CPMF: o governo contra-ataca.
Cai a liminar que suspendia cobrança no RS
A Procuradoria-Geral da Fazenda conseguiu derrubar a liminar que suspendia a cobrança da CPMF no Rio Grande do Sul. O juiz Manoel Volkmer de Castilho, do TRF (Tribunal Regional Federal) da 4ª Região, ...

1996

 

Estado de São Paulo

 

Parecer reabre polêmica sobre Congonhas


Serviço de Patrimônio diz que aeroporto é da União e, portanto, não pode ser vendido nem alienado


BRASÍLIA - De acordo com relatório do Serviço de Patrimônio da União, que já é do conhecimento do ministro da Fazenda, Pedro Malan, o governador Mário Covas não pode dar o Aeroporto de Congonhas como garantia na negociação da dívida do Banespa porque ele já pertence à União. O aeroporto não pode ser vendido nem alienado.

Consta do parecer técnico o contrato assinado entre o governo de São Paulo e a União, publicado no Diário Oficial de 1º de agosto de 1946. Por esse contrato, a União cede ao Estado o direito de explorar o aeroporto por 25 anos. Ao final desse prazo, segundo a cláusula 17, seria feita a reversão ao domínio da União "das obras, dos aparelhamentos, dos terrenos, das instalações e de tudo o que constituir acervo da concessão". Portanto, conclui o estudo, o aeroporto não pertence ao Estado, e sim à União.

Informa ainda o relatório que o contrato foi prorrogado por duas vezes. Expirou em 31 de dezembro de 1980. Em 1º de janeiro de 1981, houve reintegração de posse e Congonhas voltou às mãos da União, passando a ser administrado pela Infraero - empresa ligada ao Ministério da Aeronáutica. Também em janeiro de 1981 foi assinado convênio por 15 anos, já renovado por outros 15 e cujo prazo vence em 2010, entre a Aeronáutica e o Estado.

O contrato estabelece que a Infraero tem de pagar 35% das tarifas aeroportuárias brutas arrecadadas, a título de indenização pelas benfeitorias realizadas pelo Estado no aeroporto, durante os 34 anos que o administrou. Esse convênio prevê ainda que o Estado assuma a administração de 26 aeroportos do Interior. A Infraero não paga aluguel ao Estado, mas o indeniza pelas benfeitorias. A Infraero paga a São Paulo pela administração dos 26 aeroportos do Interior.

O relatório menciona ainda as conclusões de auditoria feita pelo Tribunal de Contas da União (TCU), em 25 de julho de 1977, que ratifica os termos do contrato assinado em 1946. O parecer do TCU diz também que a União deveria receber recursos do Estado pelos 34 anos em que geriu o aeroporto, arrecadando lucros.

O secretário estadual de Fazenda, Yoshiaki Nakano, não quis se manifestar sobre o assunto, alegando não conhecer o relatório. Ele informou que segunda-feira haverá reunião, em Brasília, entre técnicos do Serviço de Patrimônio da União, da Secretaria de Fazenda e da Procuradoria Nacional da Fazenda, para avaliar documentos referentes a Congonhas.


 


 

 

FEVEREIRO 1996

 

Estado de São Paulo

 

Scarpa é acusado de calote de R$ 50 milhões


Segundo funcionário do Banespa, empresário recebeu dinheiro de linhas de crédito do governo federal e "não pagou um tostão"; advogado garante que débito com a União foi saldado, mas procuradores contestam


CLAYTON LEVY

Correspondente

Durante 1983 e 1988, o empresário Gilberto Scarpa obteve empréstimos federais, com juros subsidiados, no valor de R$ 50 milhões e "até hoje não pagou um tostão", segundo um funcionário do Banco do Estado (Banespa), em Campinas. O advogado Celso Manuel Fachada, que defende Scarpa em dois processos-crime por sonegação e fraude, disse ontem que seu cliente não deve mais nada à União - referindo-se a denúncias de não- recolhimento de impostos. Entrevistado quarta-feira pelo Estado, Scarpa, que no dia 20 ofereceu uma festa para 850 convidados em Punta del Este, negou conhecer Fachada.

O dinheiro recebido por Scarpa na década de 80 saiu de linhas de crédito destinadas à indústria e foi repassado pelo antigo Banco de Desenvolvimento do Estado (Badesp), incorporado ao Banespa na gestão Orestes Quércia.

O banco recorreu à Justiça contra o empresário. A primeira ação foi movida em 1987. Hoje, ele responde a três ações: uma em Campinas, outra no Fórum João Mendes, em São Paulo, e a terceira em Brasília, em fase de recurso. O funcionário informou ainda que Scarpa mantém grandes laços de amizade com o empresário José Nunes Lopes, o Zé Português, braço direito de Quércia.



"Só R$ 5 milhões"

- Fachada garantiu ontem que Scarpa já pagou todas as suas dívidas fiscais, que chegam a R$ 7,9 milhões, restando apenas uma multa de 20% sobre esse valor. O empresário teria apenas débitos acumulados na época em que montou sua indústria, a Scarpa Plásticos. "Deve somar uns R$ 4 ou R$ 5 milhões, só...", disse Fachada. O advogado afirmou que, em 1993, seu cliente obteve uma liminar para saldar os débitos sem a multa. Segundo ele, os recibos estão anexados ao processo.

Fachada disse que todas as acusações contra o empresário são improcedentes. Para ele, seu cliente está sendo usando como "bode-expiatório."

Fachada admitiu que Scarpa deixou de recolher R$ 335,9 mil à Previdência Social, mas atribuiu o fato a dificuldades financeiras. "Isso ocorreu durante os Planos Collor 1 e Collor 2, quando acabou o dinheiro de todo mundo.", afirmou o advogado. "O povo não tem memória."



Procuradoria

- As afirmações de Fachada foram contestadas pelo procurador da República em Campinas, Celso Albuquerque Silva. De acordo com Albuquerque Silva, um documento da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional atesta que, até o dia 25, Scarpa ainda devia cerca de R$ 7,9 milhões à União. Ele explicou que a dívida se refere a impostos não recolhidos. "Só se ele pagou tudo na última semana."

O procurador-geral da Fazenda Nacional em Campinas, Joel Martins Barros, encarregado de cobrar a dívida do empresário, garantiu ontem que o débito não foi pago. "Eles alegam que pagaram, mas não pagaram", disse. Segundo Barros, a Scarpa Plásticos é uma empresa "extremamente complexa, cheia de débitos." O procurador informou que a União vem travando uma batalha jurídica com o empresário. "Nós entramos com ações de cobrança e eles entram com ações anulatórias", disse.

Fachada afirmou ontem que Scarpa "está muito aborrecido" com o noticiário da imprensa sobre suas dívidas. "Na verdade, ele é um exímio trabalhador, um homem honrado que começou do nada e dá emprego para milhares de trabalhadores", contou. "Nunca atrasou um salário."



"Espontâneo"

- O advogado, que esteve na festa em Punta del Este, negou que tenham sido convidadas 850 pessoas, como foi divulgado pela imprensa. Segundo ele, havia "500 e poucos" convidados na mansão de Scarpa, entre elas celebridades como as atrizes Catherine Deneuve e Gina Lollobrigida. Fachada negou ainda que Scarpa tenha pago cachê de US$ 60 mil para Catherine Deneuve. "Foi tudo espontâneo", garantiu Fachada. (Colaborou Mauro Carvalho da Silva)

 

Estado de São Paulo

 

Fazenda manda apressar cobrança de dívidas


Portaria prevê prazos menores para Receita e Procuradoria analisarem processos sobre débitos


BEATRIZ ABREU

BRASÍLIA - O Ministério da Fazenda decidiu limpar as gavetas da secretaria da Receita Federal e da Procuradoria Geral da República e tornar mais ágil a cobrança de dívidas com a União.

Ontem, o Diário Oficial publicou portaria do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Pedro Parente, criando o programa de Trabalho do Projeto Integrado de Aperfeiçoamento da Cobrança do Crédito Tributário. O programa prevê que no prazo de 180 dias não pode estar pendente a análise de processos que já estão na Receita Federal há mais de 90 dias.

Da mesma forma, os procuradores da Fazenda Nacional têm 120 dias para limpar o estoque de débitos ou processos que estejam em análise por um prazo superior a 45 dias.



Metas

- A portaria também define metas globais que deverão ser alcançadas ao longo deste ano. A Receita Federal, por exemplo, não poderá ter estoque de processos ou débitos vencidos há mais de 180 dias. Para a Procuradoria da Fazenda Nacional, a recomendação é de que não fiquem acumulados processos sem cobrança judicial que tenham chegado para análise há mais de 90 dias.

Além disso, até o dia 10 de agosto a Receita Federal tem que apresentar um levantamento, por contribuinte, de débitos vencidos ou mesmo dos que já foram parcelados, mas não pagos. A Procuradoria, por sua vez, tem que apresentar até 20 de agosto informações sobre os débitos que ainda não foram encaminhados à cobrança judicial.

 

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INDENIZACAO

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Código do Contribuinte

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CÓDIGO DO CONTRIBUINTE

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REPRESENTACAO CEARA

 

 

 

 

 

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