PSFN/MS/Nº /MRA/2001

PSFN/DDOS/MS/N.º           MRA/03

EXM.° SR. PROCURADOR DA REPÚBLICA EM DOURADOS - MATO GROSSO DO SUL.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                                             A UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), por seu Procurador que ao fim assina, nos termos do art. 12 da Lei Complementar 73/93, vem NOTICIAR os fatos a seguir narrados, cujos contornos apresentam indícios de crime capitulado no art. 179, do Código Penal Brasileiro.

 

 

 

                                                         I - OS FATOS

 

 

                       1.                    Consoante prova literal constante das peças inclusas,
                                             fo(i(ram) proposta(s) pela Fazenda Nacional, contra
XXXXXXXXXXXXXXXXX presentada pelo seu sócio-gerente xxxxxxxxxxxxxxx, brasileiro, comerciante, inscrito no CPFMF sob o n°xxxxxxxxxxxxxxxxxx,   a Execução Fiscal de n.° xxxxxxxxxxxx que tramita(m) pela 3ª Vara da Comarca de Ponta Porã-MS, na(s) qua(l(is) fo(i(ram) penhorado(s)  o(s)  imóve(l(is) objeto(s) da(s) Matrícula(s) n.º(s)  xxxxxxxxx,  de propriedade da devedora, para garantia do débito hoje atualizado em R$ 106.754.71, tendo sido referida penhora registrada às margens da respectiva Matrícula.

 

 

 

 

                       2.                    Verificado que o referido bem era insuficiente para
                                             garantir a Execução, oficiamos ao Cartório de Registro de Imóveis para informar sobre outros imóveis da empresa para procedermos ao reforço de penhora. Em resposta, fomos informado pelo Notário-Registrador que a empresa não possuía mais nenhum bem, os quais foram alienados no curso da execução, inclusive o bem já penhorado.

                                             De posse de tais informações e verificado que as alienação deram-se em frauda à execução, requeremos ao Juízo do feito que declarasse tal fraude em relação ao imóvel penhorado objeto da Matrícula XXXXXXXXXXXX e ao imóvel objeto da Matrícula xxxxxxxx, no que fomos atendido, vindo então a r. Decisão cuja cópia junta-se e da qual intimou-se os respectivos adquirentes, conforme demonstra-se pelas respectivas Certidões lançadas nos versos dos Mandados.

 

                                            

                                                         II – O DIREITO

 

 

                       3.                    Assim,  uma   vez   declarada    a    ineficácia    das                           alienações e desvio impingido ao(s) imóve(l(is) que fo(i(ram) e ainda seria(m) penhorado(s) na execução, restou também reconhecida na r. decisão, a ocorrência de fraude à execução, a qual, por sua vez, configura-se como CRIME, capitulado no art. 179, do Código Penal,  cuja titularidade da ação penal compete ao MPF nos termos do art. 24, § 2° do CPP, conforme estabelecem os textos a seguir transcritos,  verbis:

 

                             "Art. 179. Fraudar execução, alienando, desviando, destruindo ou danificando bens, ou simulando dívidas:

                             Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa.

                             Art. 24. Nos crimes de ação pública, esta será promovida por denuncia do Ministério Público .....

                             § 1º ....................................................................................

..............................................................................................................

                             § 2°. Seja qual for o crime, quando praticado em detrimento do patrimônio ou interesse da União, Estado e Município, a ação penal será pública". (DESTACAMOS).

 

                           

                                             III - O REQUERIMENTO

 

 

                       4.                    Ante  o   exposto,   e   por  tudo o que consta dos                             documentos ora juntados, é a presente para requerer de Vossa Excelência que se digne em acolher a presente NOTiCIA CRIMINIS, para o fim de deflagrar a competente denúncia contra o Sócio Responsável da Executada XXXXXXXXXXXXXXX e outros mais que eventualmente tiveram participação na fraude, por infringência do art. 179, do Código Penal, face a prática de fraude à execução perpetrada conta a Fazenda Nacional.

                                            

                                             Nestes  termos,

                                             Pede deferimento.

                                             Dourados-MS, 19 de Março de 2.003.

 

                                                         MÁRIO  REIS  DE  ALMEIDA

                                               PROCURADOR DA  FAZENDA NACIONAL

                                                                                     OAB/MS 4.701 - MAT.  1000.505-6